Asilo é forma de reparar aproximação com Irã, diz Marina

A presidenciável Marina Silva (PV) disse hoje que a oferta brasileira de asilo à iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani é uma forma de reparar a política de aproximação do governo brasileiro com o país dos aiatolás. Sakineh foi condenada à morte por apedrejamento no Irã sob acusação de adultério. "Estar aberto a receber é o que as democracias fazem quando os direitos humanos são negados", disse.

DAIENE CARDOSO, Agência Estado

03 de agosto de 2010 | 14h04

Para a candidata do PV, o alinhamento entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o colega iraniano Mahmoud Ahmadinejad causou "estranhamento" dentro e fora do Brasil, mas que o gesto da diplomacia brasileira - de oferecer asilo à iraniana - pode ser interpretado como uma tentativa de reposicionar o Brasil "frente à necessária afirmação de defesa dos direitos humanos como valor inegociável". Segundo Marina, que participou de encontro com executivos financeiros em São Paulo, independentemente das relações econômicas ou ideológicas, é preciso que a diplomacia brasileira, reconhecida pela sua cultura de paz, divulgue a democracia e os direitos humanos entre seus aliados.

Marina negou que a oferta brasileira seja uma forma de interferência nos assuntos internos do Irã, já que o Brasil "não está indo resgatá-la" e sim fazendo uma proposta de abrigo à iraniana. Anteontem, a Jahan News, serviço de notícias ultraconservador do Irã, considerada uma agência que reflete fielmente o pensamento do governo, informou que o apelo do presidente Lula era uma "clara interferência nos assuntos domésticos do Irã".

Marco regulatório

Marina Silva defendeu também a instituição de um marco regulatório para o setor aéreo. Para a candidata, é preciso que haja um plano concreto de infraestrutura para as próximas décadas e "não ficar apenas na gerência dos problemas que vão aparecendo" - numa crítica ao Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). A presidenciável lembrou que o País vive dificuldades na infraestrutura, "do setor elétrico aos aeroportos" e que é necessário mais investimentos, sejam públicos ou privados.

"Nós temos um grave problema. Se considerarmos que vamos ter Jogos Olímpicos em 2016 e a Copa do Mundo em 2014, a tendência é que esse colapso possa aumentar", previu a candidata ao comentar os problemas enfrentados nos últimos dias pelos passageiros da Gol nos aeroportos do País.

Marina destacou o PAC como um importante programa de gerenciamento, uma vez que "nem isso tinha" no governo do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso. Na opinião da candidata, é importante ir além da solução das obras demandadas. "Não temos um plano para infraestrutura e o PAC é um plano de gerenciamento", disse.

De acordo com a candidata, a instituição de um marco regulatório adequado é necessária para não gerar insegurança jurídica e atrair investimento privado. "Às vezes, a gente quer começar a construção pelo teto e obviamente não vai dar certo se não tiver o alicerce."

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