Às vésperas de proibição, Dilma dá força a candidatos

Presidente esteve ontem em São Bernardo do Campo e hoje vai ao Rio para cerimônia; prefeitos na disputa aproveitam inaugurações de última hora

O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2012 | 03h00

Às vésperas de a Justiça Eleitoral proibir a participação de candidatos em inaugurações de obras, prefeitos que tentam a reeleição prepararam uma série de eventos do gênero (estão abrindo escolas, postos de saúde, conjuntos habitacionais e parques). Nem a presidente Dilma Rousseff (PT), que pelo discurso oficial se manteria distante das campanhas, ficou fora das cerimônias. Ontem ela subiu ao palanque em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, ao lado do prefeito Luiz Marinho (PT) e do ex-presidente Lula. E hoje, data do início das campanhas nas ruas, tem agenda semelhante com o prefeito do Rio, o aliado Eduardo Paes (PMDB).

Ontem Dilma abriu a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Alves Dias, obra que recebeu R$ 2 milhões em recursos federais. Discursou para a plateia formada por agentes comunitários de saúde de São Bernardo e moradores "convidados" por faixas estendidas nas principais avenidas da cidade avisando sobre a cerimônia (ao lado de banners com o rosto de Marinho e vereadores).

Dilma fez um discreto afago a Marinho: disse que o programa de atividades físicas da cidade, De bem com a vida, é tocado por mulheres. Ela se manteve sorridente, mesmo tendo sido alvo de protesto de estudantes e servidores em greve da Universidade Federal do ABC. Chegou a trocar o nome do programa de saúde e deu "bronca" em Marinho.

"O Marinho estava me explicando que o Bem viver é levado por nós, mulheres", disse Dilma. "Ah, é De bem com a vida? Por que você não falou logo?"

Marinho fez questão de citar ainda a presença do prefeito e candidato a reeleição em Diadema, Mario Reali (PT). E de vereadores aliados que prestigiaram a solenidade: "Preciso cumprimentar os vereadores, Dilma, senão eles não votam meus projetos na Câmara", afirmou.

Ao mesmo tempo, Dilma e Lula se fizeram virtualmente presentes nas inaugurações de UPAs com o prefeito Gilberto Abade (PSB) - candidato a reeleição em Porto Seguro, sul da Bahia - e em Recanto das Emas, no Distrito Federal. As cerimônias foram simultâneas, transmitidas ao vivo em telões de LED.

Parceria. Dilma destacou em São Bernardo a importância de parcerias com os governos estadual e municipal. E tende a repetir o tom hoje, quando o prefeito carioca faz as últimas inaugurações de uma corrida com 36 entregas em 37 dias: unidades habitacionais em Triagem, zona norte, e a nova emergência do Hospital Miguel Couto, cravado no bairro da Gávea, zona sul do Rio. Dilma já elogiou Paes antes pelos "bons entendimentos" - o que estará presente nos discursos pela reeleição dele.

Paes manteve ontem as agendas, após parecer favorável do Tribunal Regional Eleitoral do Rio. Na véspera, o procurador regional eleitoral Maurício da Rocha Ribeiro havia recomendado que ele não comparecesse, sob pena de sofrer processo por abuso de poder político e propaganda irregular. Ribeiro considera que hoje Paes já é candidato, porque o prazo para registro de candidatura terminou ontem.

O prefeito se beneficia de uma brecha na lei que marcou o início da campanha para 6 de julho, mas proíbe a presença de candidatos em inaugurações somente a partir do dia seguinte, 7 de julho, três meses antes da eleição.

"Não é brecha, é burla à lei", afirma o procurador, que apontou "inequívoca ameaça ao princípio constitucional da máxima igualdade entre os candidatos".

Em Campinas, o prefeito e candidato a reeleição, Pedro Serafim (PDT), suspendeu a participação em eventos por cautela e orientação de advogados.

Como não pode se reeleger, o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PP), apoiará Nelson Pelegrino (PT), mas está evitando os holofotes - atitude contrária à da maioria dos gestores municipais. Enquanto os partidos concluíam tratativas para coligações, Carneiro viajou à Europa e aos Estados Unidos. Ele faltou até ao cortejo de 2 de julho, data cívica mais importante da Bahia, que reúne os principais políticos do Estado.

O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), participou de sete atos e inaugurações entre 20 de junho e 4 de julho. Ele alega que manteve sua rotina, mas recebeu críticas. / ELDER OGLIARI, FELIPE FRAZÃO, LUCIANA NUNES LEAL, TIAGO DÉCIMO e RICARDO BRANDT, ESPECIAL PARA O ESTADO

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