As coisas estão sendo feitas corretamente no Senado, diz Lula

Presidente diz que 'não se trata de dar apoio' a José Sarney, mas apurar as denúncias que forem aparecendo

Lisandra Paraguassú, de O Estado de S.Paulo,

15 de julho de 2009 | 18h08

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), aliado político do governo e acusado de envolvimento em irregularidades. Lula afirmou que Sarney está agindo corretamente ao tomar medidas para que as denúncias sejam apuradas.

 

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A uma pergunta se mantinha seu apoio ao senador, Lula respondeu: "Não se trata de dar apoio. Trata-se de que, na medida em que se levanta uma denúncia, se faz a apuração. Se trata de que eu acho que as coisas estão sendo feitas corretamente no Senado."

 

Entre as ações que considera corretas, Lula mencionou o estudo encomendado por Sarney à Fundação Getúlio Vargas (FGV) sobre a estrutura administrativa do Senado e o pedido do senador à Polícia Federal para fiscalizar as empresas do seu neto, José Adriano Cordeiro Sarney, dono de empresa operadora do esquema de crédito consignado a servidores do Senado e suspeito de tráfico de influência.

 

"As coisas estão sendo feitas", repetiu o presidente da República. Ele deu entrevista ao sair da cerimônia de posse do novo presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Pedro Arraes, em Brasília. "Se cada pessoa renunciasse com uma denúncia sem provas, o Brasil não teria mais nem síndico", acrescentou o presidente.

 

Sobre a revelação do jornal O Estado de S.Paulo de que a Fundação José Sarney desviou parte da verba de R$ 1,3 bilhão recebida da Petrobras para aplicar em projeto cultural, Lula afirmou que o senador "tem a fundação há 18 anos" e insistiu em que, "se há uma denúncia, tem que ser apurada; se não, a gente fica criando crise desnecessária."

 

Repórteres insistiram em saber se ele acha que é preciso haver punição, afastar os denunciados. O presidente respondeu: "Eu não sou senador. Não me pergunte o que o Senado vai fazer. Já tenho um trabalho imenso tomando conta do governo. O Senado tem maioridade."

 

Questionado se mantém a afirmação de que Sarney, por sua história política, não pode ser "julgado como uma pessoa comum", Lula disse: "Eu estou convencido de que toda pessoa é inocente até que se prove o contrário. Toda denúncia carece de investigação. Se provada (a denúncia), todas as pessoas - os presidentes da República, do Senado, da Câmara e dos jornais em que vocês trabalham têm que ser punidas. Mais que isso, como posso falar? Eu não sou juiz, não tenho como punir as pessoas."

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