As armas do PT para ampliar hegemonia na Grande São Paulo

Partido tentará ampliar o número de prefeituras que detém na região em 2012; aposta é na renovação de quadros e no apoio de Lula

Jair Stangler, do Estadão.com.br

18 de outubro de 2011 | 21h00

A um ano das eleições municipais de 2012, o PT se arma para manter e ampliar as prefeituras que já detém na Grande São Paulo. As principais apostas do partido estão na renovação de lideranças, na participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas campanhas e em uma política de alianças ampla e flexível.

 

Atualmente, o partido está em 11 das 39 prefeituras da região. Algumas das principais cidades, fora a própria capital, estão nas mãos do partido. É o caso, por exemplo, de Guarulhos, com 1,2 milhão de habitantes, a segunda maior do Estado, de São Bernardo do Campo, com quase 800 mil habitantes, e também de Osasco, com quase 700 mil habitantes. As três têm orçamento na casa dos R$ 30 bilhões cada uma.

 

Além de permanecer no poder nas atuais prefeituras que já detém, o PT planeja em 2012 expandir seus domínios e privilegia principalmente locais como Santo André, onde o PT já governou por quatro mandatos, Franco da Rocha e Mogi das Cruzes, onde a sigla trabalha para ter chances de chegar pela primeira vez ao poder.

 

O principal objetivo na região é recuperar a prefeitura da capital, cidade que o PT já governou por duas vezes, primeiro com Luiza Erundina, entre 1989 e 1992, e depois com Marta Suplicy, entre 2001 e 2004. “Para nós é a cidade mais importante em termos de execução de políticas públicas, com maior visibilidade no País”, diz Emidio de Souza, prefeito de Osasco e um dos principais articuladores do PT no Estado.

 

Além de Emidio, foram entrevistados os prés-candidatos em Franco da Rocha, Kiko Seleguim, em Mogi das Cruzes, Marco Soares e em Santo André, Carlos Grana, e os prefeitos de Suzano, Marcelo Candido, de Diadema, Mário Reali, de Guarulhos, Sebastião Almeida e de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho,

 

Renovação. O PT aposta na renovação e na mudança de estereótipo para aumentar a presença na região. Em Mogi das Cruzes, o partido vai lançar o presidente da OAB local, Marco Soares, 35 anos, recém filiado. “A ideia ter novos nomes que não retratem aquele estereótipo de que o petista é normalmente ligado a movimentos sindicais”, explica Soares. O deputado estadual Carlos Grana, pré-candidato em Santo André, é outro exemplo e, para ele, a escolha de seu nome é também uma aposta em uma liderança nova.

Nas cidades onde o nome do partido ainda não está definido, os prefeitos não falam abertamente sobre a sucessão. A regra é resolver a disputa com base no diálogo e evitar as prévias. "Uma prévia sempre deixa algumas fissuras", avalia Marcelo Candido, prefeito de Suzano, completando que, apesar de ser um direito do filiado, o partido trabalha para construir o consenso. 

 

A política de alianças é um dos principais trunfos do PT para manter a hegemonia na Grande São Paulo. Em Osasco, Emidio de Souza projeta parceria com cerca de 20 partidos. Em Diadema, o prefeito Mário Reali, que irá disputar a reeleição, vê maturidade do PT desde 2000, quando a legenda ampliou seu arco de alianças, entre elas PMDB, PSC, PV. “A gente trouxe o PSB, que estava no arco do PSDB", celebra. Sebastião Almeida, prefeito de Guarulhos, também vangloria-se do leque de alianças que está em formação. “Hoje nós temos a possibilidade de aliança entre 15 e 16 partidos”, afirma. 

 

O fator Lula. “Qual petista não está contando com Lula?” A pergunta feita pelo prefeito de Guarulhos, Sebastião Almeida, evidencia como os entrevistados encaram o poder de influência do ex-presidente na região.

 

"Aquilo que se demonstrou na última pesquisa Datafolha, que ele influencia 40% do eleitorado, ocorre em Suzano também. A demonstração de apoio do presidente Lula sempre foi incontestável", afirma Marcelo Candido, prefeito de Suzano. Mário Reali, prefeito de Diadema promete fazer até piquete para ter o Lula na campanha. "O Lula mora aqui. Nós vamos interceptá-lo antes de sair de casa, se for o caso", brinca. 

 

Apesar de terem ciência da agenda disputada do ex-presidente, os petistas da região elencaram as cidades prioritárias para a disputa levando em consideração, principalmente, a densidade populacional e chances do PT chegar à prefeitura.

 

Kiko Seleguim, pré-candidato em Franco da Rocha, cita que a ajuda de Lula em campanha na TV é outro critério. Para isso, o tamanho da população da cidade determina a presença do ex-presidente em comícios. "Na capital é mais importante ele estar na televisão do que ficar fazendo comício", completa.

 

Na contramão de todos os petistas da região, o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, minimizou a importância de Lula em sua campanha. Mesmo admitindo que trabalhará para ter a ajuda de Lula e até da presidente Dilma, Marinho nega que São Bernardo seja o berço político do ex-presidente e minimiza a "dependência da figura do Lula para ganhar as eleições". Marinho, que é candidato à reeleição no ano que vem, lembra que o ex-presidente ajudou muito em 2008, quando a eleição foi decidida em segundo turno, mas entende que a situação agora é diferente. Para ele, seu governo criou as condições para garantir a reeleição.  

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