Artistas confrontam Renan sobre golpe e ele pede conversa reservada

Líder do Congresso foi questionado sobre a legalidade do processo de impeachment e, neste momento, ele preferiu que a imprensa não acompanhasse a conversa

Isabela Bonfim, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2016 | 20h09

BRASÍLIA - Após serem recebidos pela presidente Dilma Rousseff na manhã desta quinta-feira, 31, artistas e intelectuais visitaram também o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Eles confrontaram o líder do Congresso sobre a legalidade do processo de impeachment e, neste momento, Renan preferiu que a imprensa não acompanhasse a conversa.

O cineasta Luiz Carlos Barreto apresentou a Renan Calheiros as possíveis tipificações de crime de responsabilidade que poderiam sustentar um pedido de impeachment. De acordo com ele, nenhuma delas se enquadra no que é alegado contra a presidente Dilma Rousseff. Barreto questionou se o impeachment não deveria então ser suspenso. Neste momento, o presidente do Senado pediu que a imprensa deixasse a sala para que eles conversassem "mais à vontade".

A cantora Beth Carvalho também pressionou Renan. "O que está acontecendo agora é golpe, não é outra coisa. Concorda?", questionou. Segundo ela, Renan apenas sinalizou com a cabeça mas não deixou claro se concordava. Renan também afirmou que tomaria as medidas cabíveis, mas que era preciso que o processo passasse antes pela Câmara.

A cantora aproveitou para criticar o posicionamento do partido do presidente do Senado. "Fico pasma, já há algum tempo, de ver a posição péssima do PMDB, em cima do muro total", afirmou. Ela relembrou que já havia participado de muitos shows em apoio ao partido, quando o PMDB defendeu a redemocratização.

Além de Barreto e Beth Carvalho, outros artistas como Antônio Pitanga e Letícia Sabatella também participaram do encontro. Mais cedo, em cerimônia com a presidente Dilma Rousseff, Letícia afirmou que é oposição ao seu governo, mas que veio se manifestar à favor da democracia.

"Eu sou oposição ao seu governo, presidenta Dilma, mas tenho contentamento em poder dizer isso na sua frente, e dizer que vivo ainda num Estado que se pretende utopicamente ser um Estado democrático, que preserva as liberdades. Eu vim aqui hoje clamar por democracia", disse a atriz.

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