Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

Artistas celebram ministro durante posse

Atores, músicos e parentes de Barbosa destacaram trajetória pessoal e o fato de Judiciário ser presidido por um negro pela primeira vez

Felipe Recondo e Eduardo Bresciani, de O Estado de S. Paulo

22 de novembro de 2012 | 22h49

BRASÍLIA - Às 15h21, o ministro Joaquim Barbosa adentrou o plenário do Supremo Tribunal Federal ao lado da presidente Dilma Rousseff. Começava a sessão que empossou o primeiro negro como presidente da Corte. Ambos estavam sérios, sisudos - Dilma ficaria assim até o fim da solenidade. Barbosa dizia que a posse era apenas uma "honra a mais", algo previsível para um integrante do tribunal. Para seus convidados e principalmente para sua mãe, Benedita Gomes da Silva, motivos não faltavam para festejar o momento.

"Estou muito orgulhosa do Dito", disse Benedita, que posava sorridente para fotos ao lado dos filhos e netos. "Jamais imaginei estar aqui ou uma coisa destas na vida. Mas posso te dizer que é merecido. Ele sempre foi muito estudioso. É muito dedicado", afirmou a mãe, com os olhos marejados. "Estou muito feliz. Nem sei quanto."

Cantores e atores convidados para a posse, tietados antes e depois da sessão, comemoraram a ascensão de Barbosa. Muitos inclusive ressaltavam a trajetória de vida que o próprio ministro prefere tratar com discrição. "É um momento importante, não só pela negritude, mas por ser pobre, filho de pobre. É um estímulo para os jovens de hoje", disse o cantor e compositor Martinho da Vila. "Mais uma vez o sol brilhou no STF", afirmou o ator Milton Gonçalves.

Barbosa se manteve sério até a conclusão do Hino Nacional, tocado pelo bandolinista Hamilton de Holanda. Ao fim da execução, abriu o primeiro sorriso. Dilma permanecia impassível. Barbosa olhou em volta, mas sua atenção estava concentrada na primeira fila, onde estavam sentados sua mãe e seu filho, Felipe. Novo sorriso, agora mais discreto. Às 15h32, Barbosa é empossado presidente do Supremo. Os convidados o aplaudem de pé - alguns chegam a gritar.

Barbosa sorri e caminha na direção de Dilma para cumprimentá-la. A presidente lhe estende a mão num cumprimento frio. Depois, é empossado vice-presidente Ricardo Lewandowski. Dilma cumprimenta o ministro com dois beijos no rosto.

Costas. Até aquele momento, Barbosa resistia às dores nas costas e não havia trocado a cadeira desconfortável do Supremo por uma anatômica, que o acompanha há anos. O senta e levanta da solenidade - para a entrada dos ministros, para ouvir o Hino Nacional - acaba ajudando.

A palavra é passada ao ministro Luiz Fux, para o discurso de saudação. Foram 42 minutos que colocaram à prova as dores na espinha, na definição do próprio Barbosa. Antes de pedir que troquem a cadeira, tira os óculos e seca o suor com um lenço.

Barbosa havia pedido que os discursos fossem curtos. Fux destoou. Apesar da monotonia, que fez o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, bocejar duas vezes, Fux ouviu aplausos ao citar o mensalão.

Às 16h41, Barbosa se levantou para fazer seu discurso. A toga ficou presa sob uma das rodas de sua cadeira. Dilma o ajudou a desprender a toga. O novo presidente falou baixo, pausadamente. Um clima bem diferente de qualquer sessão de julgamento do mensalão.

Barbosa e Lewandowski serão presidente e vice por dois anos.Nesta quinta-feira, 22, a dupla que teve ríspidas discussões nos últimos meses estava em sintonia. No Salão Branco, antes da sessão, Barbosa tropeçou e caiu em um tablado onde as autoridades aguardavam o início da cerimônia. Lewandowski lhe estendeu a mão e ofereceu um copo d’água.

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