Rene Moreira/Estadão
Rene Moreira/Estadão

Articulação política é trabalho de todos os ministros, diz Kassab

Integrantes do governo Dilma minimizam suposta exclusão de Mercadante (Casa Civil) de papel de negociador com Congresso

TÂNIA MONTEIRO, LISANDRA PARAGUASSU, VICTOR MARTINS E RICARDO DELLA COLLETTA, O Estado de S. Paulo

23 de março de 2015 | 15h37


Brasília - Em entrevista no Palácio do Planalto, após reunião com a presidente Dilma Rousseff, o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, disse que a coordenação política do governo é uma "atribuição coletiva e não individual" do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, bombardeado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por parlamentares, inclusive petistas, de que deveria sair da coordenação política e da interlocução com o Congresso. Kassab, falando em nome da presidente e dos ministros que participaram da reunião, tentou minimizar a suposta exclusão de Mercadante desse papel. O titular do Planejamento, Nelson Barbosa, reforçou o discurso de que o diálogo com o Congresso é coletivo e disse ainda que, na Casa Civil, o petista continua liderando essa função.

"Ficou claro, desde o início do segundo mandato da presidente Dilma, que esta atribuição (coordenação política e interlocução com o Congresso) não seria do ministro Mercadante. Essa atribuição é do ministro Pepe Vargas (Relações Institucionais), apoiado pelo conselho político, com a base do governo", tentou explicar Kassab, insistindo que essa é uma atribuição de todos os ministros políticos.

Até então, em muitas dessas ocasiões, cabia a Mercadante o papel de porta-voz do governo e todas as discussões políticas eram feitas com um núcleo político reduzido, integrado apenas por petistas. Só que, depois da guerra travada com o Congresso e a vitória de Eduardo Cunha na presidência da Câmara, desafeto de Dilma, a crise se agravou, e a presidente se viu obrigada a ampliar este núcleo de consultas, chamado de coordenação política institucional, que incluiu o vice-presidente da República, Michel Temer, do PMDB, e os ministros políticos.

"O que existe é uma trabalho coletivo e o ministro Mercadante participa deste trabalho. Ele integra o conselho político. Ele é um dos principais ministros deste governo e continua com suas atribuições, compartilhada com todos, como sempre foi", prosseguiu Kassab. O ministro das Cidades informou ainda que, "a cada fase, de qualquer governo, você tem aquele que se envolve mais ou menos em determinada atividade".

Em seguida, citou que, no caso do pacote de medidas econômicas encaminhado ao Congresso, do ponto de vista técnico, os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, têm ido constantemente conversar com os congressistas e que esse trabalho "está sendo muito bem feito", "com muito sucesso".

"A equipe econômica vai continuar com o trabalho de comunicação com o Congresso. O conselho político entende que este trabalho foi muito bem-sucedido com a abordagem feita pela equipe econômica, com visita às bancadas". E agora, continuou, este trabalho terá prosseguimento, com as discussões com as comissões que vão discutir as propostas no Congresso já instaladas.

A exemplo de Kassab, Nelson Barbosa afirmou que o trabalho de conversa com o Congresso é de toda a equipe do governo. "O ministro Mercadante (ministro Aloizio Mercadante) continua liderando e fazendo este papel de Casa Civil", declarou Barbosa, acrescentando que este "é um esforço de vários ministros para aprovar estas medidas (de ajuste fiscal) que são importantes para a melhora da economia".

Em entrevista depois da reunião de coordenação, Nelson Barbosa lembrou ainda que "já há um trabalho de explicação, de construção política, de convencimento e de esclarecimento sobre as medidas do governo, há muito tempo". Ele lembrou que para cada tipo de ação há grupos de ministros destacados para realizar as negociações. Como exemplo, citou o grupo que se reúne com as centrais sindicais para discutir as medidas que promovem ajustes nos benefícios sociais, lembrando que seis reuniões já foram realizadas por esta equipe. Este grupo é integrado por Barbosa, pelo ministro da Secretaria Geral, Miguel Rossetto; da Previdência, Carlos Gabas; e do Trabalho, Manoel Dias.

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