Arthur Virgílio sugere que Sarney 'se case com a biografia'

Tucano diz que insistência de senador em permanecer no cargo é 'uma luta inglória'

Vannildo Mendes, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2009 | 17h56

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), um dos senadores que mais pressionam pela renúncia de José Sarney (PMDB-AP) ao cargo de presidente do Senado, discursou há pouco da tribuna dirigindo-se a este o tempo todo e o aconselhou a 'casar com a biografia'. Mencionou o fato de Sarney ter sido presidente da República, presidente do Senado pela terceira vez, senador de cinco mandatos e personagem importante da transição do regime militar para a democracia civil. Virgílio, sugerindo mais uma vez que Sarney faria melhor se optasse por deixar a presidência do Senado, deixou claro que a insistência dele em permanecer no cargo é 'uma luta inglória' que 'mancha' seu currículo.

 

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O líder tucano, cuja marca na tribuna é o discurso exaltado, falou com tranquilidade como vem fazendo há algum tempo, e não fez referências diretas às irregularidades atribuídas a Sarney. Citou as irregularidades registradas no Senado nos últimos 14 anos e atribuídas a Agaciel Maia, que foi diretor-geral da Casa nesse período, nomeado por Sarney. Virgílio disse que essas irregularidades criam um 'ambiente de ingovernabilidade' no Senado e mencionou projetos importantes que, por causa do clima reinante, não estão sendo votados, como a reforma política e medidas econômicas de grande interesse para o País.

 

Sarney ouviu Virgílio em silêncio e, no final, disse apenas: 'Amanhã, terei oportunidade de responder ao discurso de Vossa Senhoria'. Sarney adiou para amanhã, após a sessão do Conselho de Ética, o discurso inicialmente previsto para hoje. Na pauta do conselho estão 11 representações contra Sarney, incluindo denúncias de envolvimento em irregularidades.

 

Virgílio dirigiu seu discurso também no sentido de neutralizar o que considera 'retaliações' adotadas contra ele por defensores de Sarney. Disse que é um 'gesto medíocre' a atitude dos que ameaçam pedir no Conselho de Ética a abertura de um processo de cassação de seu mandato. 'Este é o gesto mais medíocre que já vi na vida, mas estou pronto para enfrentá-lo. Esse gesto mostra a que ponto chegou o movimento de apoio a Sarney para mantê-lo no cargo'. Aliados de Sarney têm ameaçado representar contra Virgílio por causa do episódio em que um servidor de seu gabinete que estudou na Espanha 13 meses e continuou recebendo salários pagos pelo Senado. O líder do PSDB está devolvendo, parceladamente, o valor desses salários (R$ 210 mil).

 

Ele sugeriu que Sarney faça um reflexão e 'dê a volta por cima, não com truculência, não com prepotência nem com ameaças de retaliação', porque 'nada disso adianta'. E repetiu a frase que vem dizendo em todos os discursos: 'Ninguém me cala'. Virgílio mencionou uma situação hipotética em que teria seu mandato cassado no Conselho de Ética ao mesmo tempo em que Sarney seria declarado inocento das acusações de envolvimento em irregularidades. E perguntou ao presidente do Senado se ele, nesse caso, se sentiria 'confortável' diante de 'uma tal situação absurda'.

 

O líder do PSDB reafirmou não se dobrará às ameaças e que, se for preciso, apresentará '5 mil ações' contra Sarney, 'por um dever de consciência'. Referiu-se também ao presidente do Conselho de Ética, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), que após assumir o cargo disse que poderia arquivar as denúncias contra Sarney. Virgílio afirmou que tem admiração pelo passado de Duque como militante do movimento estudantil. E, dirigindo-se a Sarney, insistiu: 'Na sua biografia, essa cadeira a que Vossa Excelência está-se apegando, nada representa'.

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