Arruda sugere pacto entre ACM e Regina

Na sua exposição final ao Conselho de Ética do Senado, o senador José Roberto Arruda (sempartido-DF) afirmou que se sente como "um elo de uma corrente" e que assume a responsabilidade pela sua falha, mas que essafalha não pode ter o mesmo peso, por exemplo, da que originou a cassação, em junho de 2000, da cassação do mandato doentão senador Luiz Estevão.Arruda fez observações em relação às declarações feitas pelo senador Antonio Carlos Magalhães(PFL-BA) e pela ex-diretora do Prodasen Regina Borges e insinuou a existência de um pacto entre esses dois e outras pessoaspelo qual apenas ele, Arruda, seria responsabilizado pela violação do painel eletrônico de votações do Senado."A verdade foisendo lapidada para que o conjunto da obra se adequasse ao figurino que se moldou", declarou Arruda.Em seguida, leu o queidentificou como um e-mail recebido no dia 20 de abril, logo após o depoimento de Regina Borges ao Conselho de Ética.Noe-mail, segundo Arruda, os advogados Waldir Campos Lima e Carlúcio Campos Coelho lhe sugerem uma estratégia paraescapar da punição. Os dois advogados recomendam que Arruda assuma a responsabilidade de ter dado a ordem a Regina paraviolar o segredo do painel, que faça uma aliança com ela, evite confronto com o senador Magalhães e faça um acordo com o PTpelo qual ele, Arruda, não revelaria o voto da senadora Heloína Helena na sessão secreta do dia 28 de junho, quando o Senadocassou o mandato de Estevão.Arruda disse que mandou sua assessoria procurar os dois advogados e que ficou surpreso ao serinformado de que Carlúcio Campos Coelho foi encontrado na companhia do filho de Regina, Dorival Borges de Souza Neto (quetambém é advogado). "Isso mostra o jogo que está sendo jogado aqui", concluiu Arruda.Regina Borges disse que não haviaentendido bem a insinuação que Arruda fizera em relação a seu filho Dorival Borges de Souza Neto, a quem ela se referiu como"um dos advogados trabalhistas mais respeitados do Distrito Federal".Ela contou ter sido procurada há alguns dias pelo filho,que lhe transmitiu a informação de que Carlúcio queria conversar com ela, e ela lhe respondera que respeitava o advogado, masnão queria conversar com ninguém.Depois que a sessão desta quinta-feira do Conselho de Ética foi encerrada, Arruda foi questionado sobre ainsinuação e respondeu que era "uma constatação"."Ninguém, aqui, é mais culpado ou mais inocente do que o outro", disse osenador, reafirmando que faz parte de uma "corrente com pelo menos três elos" e que não adianta nenhum elo querer criar umaestratégia para se sair melhor, porque ninguém aceitaria que os outros dois, que, na opinião dele cometeram a mesma falha,sofram uma punição diferente. "Seriam dois pesos e duas medidas".Arruda afirmou ainda que não acredita que seja prejudicadopelo fato de estar sem partido e de seu ex-partido ter-lhe dado um tratamento diferente daquele que "outros partidos deram aoutros envolvidos".

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