Arruda renuncia para evitar constrangimento

O senador José Roberto Arruda disse hoje em seu discurso de renúncia ao mandato, que tomou essa decisão também por não desejar submeter os colegas senadores a um constrangimento. "Prefiro desobrigá-los de um julgamento penoso que, ou será injusto comigo, se decidirem pela pena máxima por uma falha regimental, ou será injusto com cada um dos colegas, pelo julgamento impiedoso de parte ponderável da mídia".O senador deu outras duas razões para sua denúncia. A segunda, que ele considerou mais importante, é que Brasília e sua população não mereceriam ficar com um senador a menos, uma vez que o processo de cassação ao qual ele seria submetido seria longo e penoso. Nesse período, segundo Arruda, o Distrito Federal ficaria desfalcado de um senador, já que ele não teria condição de exercer a plenitude de seu mandato. Ele disse que, para evitar que isso aconteça, assumirá em seu lugar o senador Lindberg Azis Cury. Segundo Arruda, seu suplente reúne história de vida e competência para assumir a cadeira de senador e defender o Distrito Federal.A última razão para a renúncia, segundo Arruda, é de foro íntimo e, por isso, ele não externou. "Por respeito a Brasília, por respeito à sua população, por respeito à representação popular, deixo esta casa para ser julgado por quem, até por preceito constitucional, tem vontade soberana. Renuncio, portanto, a meu mandato, senhores senadores. Tenho fé em Deus, não é o fim. É um novo começo. Até um dia".Arruda renunciou após fazer um discurso de seis páginas no qual disse que "não roubou, não matou e não desviou dinheiro público, mas cometeu um grande erro, talvez o maior de sua vida". Segundo Arruda, três razões o levaram a tomar essa decisão. A primeira, segundo ele, é que houve um pré-julgamento no qual ele foi "liminarmente condenado". "O processo de linchamento é explícito e covarde, porque de cartas marcadas. Os lances desse jogo viciado por interesses pessoais, por hipocrisias e mentiras, foram mostrados ontem para todo o País em tempo real. A violência desse pré-julgamento da interpretação regimental, a serviço da sentença previamente concebida, não é um ato apenas contra mim, mas contra as instituições democráticas deste País, até porque banaliza um dos dispositivos mais fortes da Carta Constitucional, para usá-lo como uma vendeta política da qual talvez eu nem seja o alvo principal", afirmou o senador, acrescentando que está pagando o preço "por estar no lugar errado, na hora errada". Arruda disse ainda que ontem afirmou que não queria fugir ao julgamento desde que o processo fosse justo, não ignorasse as regras da Justiça, não se deixasse seduzir pelos holofotes e não se deixasse contaminar por influências externas ou interesses espúrios. "A sentença, no entanto, já está prolatada, resta apenas criar no cenário o enredo que lhe sirva de pano de fundo", afirmou. O senador disse ainda que não poderia fazer o que ele chama de farsa tivesse uma aparência honesta, ficando "na esperança do milagre da sensatez", e também não poderia ficar na expectativa de uma acordo de cúpula na mesa que poderia preservar o seu mandato à custa de "conchavos políticos"."Não cometerei a infâmia de recorrer a expedientes escusos - ainda que convencido da injusta aplicação da pena capital para continuar no Senado", disse o senador, acrescentando que ninguém poderá botar em sua biografia um único desvio de conduta além do "erro" que já confessou no caso da violação do painel do Senado. " Não aceito que tentem me igualar a homens que abastardam a política e envergonham o País", afirmou.

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