Arruda optou pela confissão após ser abandonado

A decisão do ex-líder do governo senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), de confessar a responsabilidade na violação do painel eletrônico, foi tomada ontem à noite. Arruda redigiu de próprio punho o discurso de 32 páginas que leu da tribuna. A posição do presidente Fernando Henrique Cardoso e do PSDB, que o abandonaram à própria sorte, foi um dos motivos que ajudaram o senador a optar pela confissão. "Ele foi rifado por todos e não teve apoio de ninguém", disse um assessor de Arruda, ressalvando o comportamento do líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), o único que teria oferecido solidariedade durante todo o episódio. "Peço desculpas aos colegas de governo, ao qual sempre servi com lealdade, até em situações de natureza muito mais graves que esta, e mesmo quando meus mais legítimos interesses políticos foram contrariados", desabafou o próprio Arruda no discurso. Antes de subir à tribuna, ele informou sua decisão ao ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, e ao deputado Arthur Virgílio que, por sua vez, acompanhou todo o pronunciamento no plenário do Senado. "Eu vim para colocar toda a verdade", disse Arruda ao líder do PPS, senador Paulo Hartung (ES), que estava sentado a seu lado no plenário. No sábado, Arruda conversou, por telefone, duas vezes com o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Mas, em nenhum momento o avisou que faria a confissão, segundo informações de seus assessores. " Arruda agora está aliviado", contou um assessor, assim que o ex-líder do governo deixou o Congresso.

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