Arruda nega ter recebido telefonema de Regina

A ex-diretora do Prodasen, o serviço de processamento de dados do Senado, Regina Célia Borges, disse que conversou por telefone com o senador José Roberto Arruda para comunicar que havia "executado a tarefa na noite (véspera da sessão que cassou o senador Luiz Estevão) e que estava apenas dependendo da votação para obter a lista". Arruda em seu depoimento negou que tivesse falado com Regina Célia às 10h05 do dia da votação. Arruda foi indagado pelo relator Saturnino Braga (PSB-RJ) se havia mesmo conversado com Regina por telefone. Sobre as ligações telefônicas, Regina deixou claro em seu depoimento que não tinha lembrança se tinha ficado de telefonar mesmo para o senador (Arruda), mas depois, em função do rastreamento feito nas contas telefônicas dela, Regina constatou que teria falado com o senador Arruda às 10h15. Arruda contou que naquela manhã ele chegou cedo ao Senado, o aparelho celular ficou com a secretária e, quando dirigiu-se para o plenário, cumpriu a mesma rotina, ou seja, seu celular ficou com um dos assessores em plenário. Naquela manhã, Arruda afirma que não atendeu telefonema e negou que tenha falado com Regina. Dirigindo-se à presidência do Conselho, Arruda entregou o resultado da quebra de seu sigilo telefônico. Os documentos, segundo ele, mostram que às 17h42 ele retornou a ligação a Regina. Independentemente da ligação, os procedimentos todos em função da consulta nascida por conta das especulações sobre a segurança do painel e boatos que poderia haver até adulteração de votos já haviam sido realizados. "Isso causou estranheza", disse Arruda. Não se falou sobre lista no telefonema, diz ArrudaArruda confirmou que manteve uma conversa por telefone com Regina Celia Borges ao final da tarde do dia 28 de junho, quando foi cassado o mandato do ex-senador Luiz Estevão. Arruda insistiu que a conversa foi rápida e que em nenhum momento teria sido mencionada a entrega de uma lista com a relação dos votos dos senadores na sessão que cassou o mandato de Estevão. De acordo com Arruda, Regina teria dito apenas que teria que entregar algo a ele e, então, o senador solicitou que seu assessor Domingos Lamoglia fosse encontrá-la. Segundo Arruda, ele lembra de ter dito ao seu assessor para ir buscar o que Regina queria lhe entregar para, então, encaminhar ao senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). O relator do caso no Conselho de Ética, senador Saturnino Braga (PSB-RJ), interpelou Arruda ao final dessa frase, questionando que, se Arruda teria pedido para seu assessor pegar um documento com Regina para entregá-lo a ACM, então ele sabia do que se tratava esse documento. Arruda mais uma vez voltou a se defender, dizendo que até aquele momento não sabia "a natureza do documento", mas que lhe teria "caído a ficha" de que o que Regina estaria lhe entregando seria uma prova do funcionamento do painel eletrônico de votação do plenário do Senado.

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