Ed Ferreira/AE
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Arruda já é alvo de seis pedidos de impeachment no DF

PT, PSOL, CUT e dois advogados protocolaram os pedidos; Arruda deve ser alvo ainda de proposta da OAB

Gustavo Uribe, da Agência Estado,

02 de dezembro de 2009 | 15h42

Obedecendo a script anunciado na segunda-feira, 30, o presidente do Diretório Estadual do PT no Distrito Federal, Chico Vigilante, protocolou no início da tarde desta quarta-feira, 2, na Câmara Legislativa do DF, pedido de impeachment contra o governador José Roberto Arruda (DEM). Além do PT, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) no DF também ingressou com outro pedido de impeachment contra o governador.

 

Até o momento, seis pedidos para destituir Arruda do cargo já foram registrados na Mesa Diretora da Casa. O governador é apontado pela Polícia Federal (PF) como um dos articuladores de esquema de arrecadação e distribuição de propina a membros da base aliada de seu governo, ação investigada pela Operação Caixa de Pandora, deflagrada na última sexta-feira, 27.

 

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O presidente do PT-DF deu entrada do pedido por volta das 15h20, acompanhado por parlamentares da bancada da legenda na Câmara Legislativa. Na terça-feira, 1º, a líder do partido na Casa, deputada Erika Kokay, havia anunciado que a bancada iria protocolar um pedido, mas a assessoria jurídica do PT atentou ao fato de que, caso a proposta de impeachment fosse feita em nome dos parlamentares, posteriormente eles seriam impedidos de votar durante o processo. A oposição a Arruda na Casa é formada por apenas seis dos 24 parlamentares distritais: quatro do PT e dois ligados ao ex-governador Joaquim Roriz (PSC).

 

Na manhã desta quarta-feira, a Câmara Legislativa recebeu dois pedidos de abertura de investigação contra o governador: um protocolado pelo PSOL e outro pela Ordem dos Ministros Evangélicos do Gama. Na terça-feira foram ingressados dois outros pedidos de impeachment, apresentados pelos advogados Evilásio Viana dos Santos e Anderson Siqueira.

 

Ainda nesta quarta, Arruda deve ser alvo de outra proposta de autoria da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Antes de ser aberto um processo de impeachment, os pedidos precisam ser confirmados pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Legislativa e ratificados por dois terços dos parlamentares da Casa, ou 16 dos 24 deputados distritais.

 

"Propina nossa de cada dia"

 

Na chegada à Câmara Legislativa, nesta manhã, a delegação do PSOL protestou contra as denúncias de corrupção no governo do Distrito Federal realizando uma "anti-oração", como definiu o deputado federal Chico Alencar (RJ), em referência ao vídeo anexado ao inquérito da Operação Caixa de Pandora, no qual os deputados Rubens César Brunelli Júnior (PSC) e Leonardo Prudente (DEM) aparecerem rezando após fazer a partilha do dinheiro arrecadado no esquema.

 

"Financiador nosso que estais na terra, santificado seja o teu negocio, venha a nós o seu dinheiro, seja feita a vossa vontade, tanto no público como no privado. A propina nossa de cada dia nos dai hoje, perdoai os nossos desfalques, assim como nos perdoamos os que mal versaram antes de nós. E não nos deixais cair na tentação da honestidade, mas livrai-nos do flagrante ou da verdade. Que assim não seja", diz a "anti-oração".

 

"O presidente Lula disse ontem (terça-feira) que as imagens não dizem por si, mas eu, como oposição, digo: elas não falam por si, elas gritam por si. Elas são completamente retumbantes. Não há prova mais contundente", criticou Chico Alencar.

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