Arruda desqualifica denúncias e diz que não deixará o governo

'Estamos firmes, vamos até o fim', diz governador em pronunciamento que visou desqualificar as denúncias

Marcelo de Moraes, de O Estado de S.Paulo,

30 de novembro de 2009 | 19h12

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), garantiu em comunicado lido pessoalmente à imprensa nesta segunda-feira, 30, que não deixará o cargo. Ele reafirmou que eventuais recursos recebidos de Durval Barbosa teriam sido usados em ações sociais, com o devido registro e contabilização.

 

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"Estamos firmes, vamos até o fim", disse o governador, após fazer um pronunciamento de sete minutos, onde tentou desqualificar as denúncias feitas contra ele, alegando que pode ter havido montagem nas fitas de vídeos gravadas, e se defendeu das acusações de recebimento de pagamentos irregulares de Durval Barbosa, seu ex-secretário de Relações Institucionais.

 

No comunicado, Arruda acusa Durval Barbosa de ter feito os ataques por ter tido interesses contrariados.

 

Veja a íntegra do pronunciamento, lido por Arruda, na residência oficial do governador, em Águas Claras, no Distrito Federal:

 

"Durante oito anos, o denunciante Durval Barbosa, hoje réu em 32 processos, todos por atos praticados no governo anterior, foi presidente da Codeplan, empresa de informática do governo Roriz.

 

Recursos eventualmente recebidos por nós do denunciante para ações sociais nos anos de 2004, 2005 e 2006, entre os quais o que foi exibido pela TV, foram regularmente registrados ou contabilizados, como foram todos os demais itens da campanha eleitoral.

 

Na montagem da equipe de governo, o denunciante desejou continuar na empresa de informática. Avisado de que ele respondia, como réu, a processos por condutas praticadas no governo anterior, não concordamos com sua permanência no mesmo posto e o mantivemos no governo em outro setor meramente burocrático, já que não havia ainda nenhuma condenação.

 

Criamos uma agência técnica de informática. Mais tarde, informados que, na nova agência de informática, ainda havia problemas, extinguimos a agência, demitimos os servidores sob suspeita e descentralizamos todos os serviços.

 

O nosso governo reduziu os gastos de informática em mais de 50% em relação ao último ano do governo passado. Isso contrariou a muitos interesses políticos e empresariais, que, agora fica claro, são ligados ao denunciante.

 

Quanto ao diálogo gravado no dia 21 de outubro, fica claro que foi conduzido para passar uma versão previamente estudada. A avaliação preliminar dos nossos advogados me alerta que os supostos "defeitos" ou "aquecimento" e "resfriamento" do aparelho de gravação, conforme consta dos autos, acabaram por truncar e comprometer o teor e o sentido da conversa, inclusive com a "desconfiguração dos dados armazenados". Os advogados estão estudando essa questão. O denunciante propunha dias antes do encontro, a realização de pesquisas, conversas para acordos políticos e doações para campanha por empresários amigos dele. Deixamos claro que não aceitaríamos essas doações, pois só cuidaríamos de campanha no próximo ano, e sugerimos apoio às campanhas de deputados da base de apoio ao governo, na forma da lei.

 

Quanto a outras imagens e/ou outros informes inseridos no inquérito, relativos a doações que ele teria feito a outros políticos, é preciso que haja uma análise cuidadosa dos advogados para esclarecer melhor as datas e as responsabilidades.

 

Finalmente, os nossos advogados estão analisando detalhadamente os autos para, no momento próprio, apresentar nossas posições. Além das investigações internas que determinei, com o apoio da Controladoria, da Procuradoria e da Polícia Civil, vamos colaborar com tudo que for necessário para as investigações do Ministério Público Federal e do Superior Tribunal de Justiça.

 

Confiamos na justiça e vamos continuar trabalhando no dia a dia do governo, agora livres dessa herança maldita do governo anterior."

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