Arruda deixa a prisão em Brasília

Arruda deixa a prisão em Brasília

Governador cassado do Distrito Federal estava em prisão preventiva na carceragem da PF desde o dia 11 de fevereiro, acusado de tentar obstruir a Justiça

Rosa Costa, Eugênia Lopes e Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2010 | 17h47

José Roberto Arruda deia a carceragem da PF ao lado da mulher, Flávia Arruda. José Cruz/AE

 

BRASÍLIA - Sob gritos de dois grupos de manifestantes - um favorável e um contrário a ele -, o governador cassado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM), deixou na tarde desta segunda-feira, 12, o prédio da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde estava em prisão preventiva desde o dia 11 de fevereiro, acusado de tentar obstruir a Justiça.

 

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"Arruda!", gritavam os manifestantes que se dizem amigos do ex-governador, em frente à PF, enquanto ele se dirigia ao carro que o levaria para casa. Os "amigos de Arruda" cantavam hinos religiosos. Os integrantes do outro grupo, contrários ao ex-governador, gritavam palavras de ordem contra ele e contra o ex-vice-governador e empresário Paulo Octávio (ex-DEM), conhecido como "P.O.".

 

Ao sair do prédio, Arruda entrou em uma camionete na qual estava sua mulher, Flávia. Foi seguido pelo advogado de defesa, Nélio Machado, em outro carro. Depois que os carros partiram, os dois grupos de manifestantes permaneceram no local, gritando palavras de ordem um contra o outro.

 

Grupo de oração

 

Ao chegar à sua residência, em um condomínio no Park Way, bairro de classe média alta de Brasília, Arruda não quis conversar com os jornalistas. Coube a Fábio Peres, cunhado do ex-governador, a tarefa de conversar com os jornalistas que estavam no portão de entrada do condomínio. Segundo ele, Arruda, que cultivou uma barba grisalha enquanto esteve na prisão, está bem. "Graças a Deus, acabou. Vocês estão incomodando os moradores e por isso peço que vocês vão embora", disse Peres.

 

Mais tarde, dezenas de pessoas deixaram a residência de Arruda, em um condomínio no Park Way, bairro de classe média alta de Brasília. O grupo chegou ao local pouco tempo depois de Arruda ter deixado a prisão, e foi fazer uma oração junto com o ex-governador. Os visitantes não quiseram se identificar e apenas comentaram, ao deixar o condomínio, que o ex-governador está abatido.

 

Um casal dos visitantes disse que nesta segunda se encerra uma corrente de orações que começou com a prisão de Arruda, em 11 de fevereiro, e que o grupo fez uma oração pela vida "do melhor governador que o Distrito Federal já teve". Durante cerca de uma hora e meia em que estiveram na casa, as pessoas oraram e cantaram músicas religiosas. O ex-chefe da Casa Civil do governo do Distrito Federal, José Geraldo Maciel, também estava presente.

 

Decisão do STJ

 

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta segunda-feira, 12, por oito votos a cinco, soltar José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal, preso desde o dia 11 de fevereiro numa cela da Polícia Federal. A maioria dos integrantes da Corte seguiu voto do ministro Fernando Gonçalves, relator do inquérito sobre o esquema de corrupção no Distrito Federal.

 

Gonçalves alegou não haver mais "razões" para a prisão preventiva de Arruda. A decisão do STJ contrariou posição do Ministério Público Federal. Em requerimento enviado ao tribunal, a subprocuradora-geral da República Raquel Elias Ferreira Dodge pediu a manutenção da prisão de Arruda.

 

Arruda foi preso em fevereiro - por decisão do STJ - sob a acusação de coagir testemunhas e obstruir as investigações sobre o esquema de corrupção no governo do Distrito Federal. Tentou, sem sucesso, um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF). Em março, Arruda perdeu o cargo de governador. Foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por infidelidade partidária. Arruda deixou o DEM em dezembro, depois da revelação do esquema de corrupção desmantelado pela Operação Caixa de Pandora, em 27 de novembro. Ele não recorreu da cassação e aceitou a perda da cadeira de governador.

 

Em sua decisão, Fernando Gonçalves alegou que, segundo a Polícia Federal, as próximas diligências da investigação sobre o "mensalão do DEM" serão "técnicas", diminuindo as chances de Arruda interferir no inquérito. O ministro entendeu ainda que, cassado, Arruda também perdeu o poder de atrapalhar a ação da polícia para apurar o esquema de corrupção.

 

Atualizada às 20h30

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