Arruda apresentou três versões diferentes

O senador José Roberto Arruda (sem partido-DF) mudou novamente sua versão sobre a agenda cumprida na noite anterior ao dia da violação do painel de votação do Senado, e finalmente admitiu seu encontro com ex-diretora do Prodasen, Regina Borges. Durante a sessão de acareação, Arruda disse que a versão de Regina sobre a data é correta, embora continuasse negando o teor da conversa entre ambos. "Neste particular (data), a doutora Regina está certa", disse ele.Essa é a terceira versão de Arruda para o fato. A princípio, ele negou qualquer encontro com a ex-diretora do Prodasen. Da tribuna, apresentou um detalhado roteiro de compromissos dele na noite do dia 27 de junho de 2000, com cartas e depoimentos - inclusive dos senadores Bernardo Cabral (PFL-AM) e Pedro Piva (PSDB-SP), presentes à sessão - que tinham por objetivo desmentir o relato de Regina Borges. No dia anterior, laudo da Unicamp comprovara a violação do painel.A ex-diretora, confrontada com o desmentido do senador, reiterou suas afirmações, durante depoimento ao Conselho de Ética do Senado. Na ocasião, relatou o encontro inusitado, à noite e na residência de um senador (Arruda), onde recebera o pedido de obtenção da lista de votação. Além dela, seus subordinados, em depoimentos individuais, recuperaram os fatos daquela noite, em que um deles voltara de um passeio a Festa das Nações, e da madrugada que se seguiu, quando fizeram a violação.Numa segunda ocasião, em depoimento ao mesmo conselho, Arruda continuou contestando a versão de Regina. Ele admitira o encontro, dessa vez, para "obter informações sobre o grau de segurança do sistema de votação", segundo o senador, mas negou a data e os contatos telefônicos com Regina no dia posterior, para cobrar retorno da tarefa. A confirmação do encontro, naquela noite, reforçaria a existência do pedido de violação e da urgência - que justificaria o contato noturno, em sua residência - condições que Arruda continua negando.Mesmo depois dos depoimentos dos funcionários do Prodasen, envolvidos na violação, o senador continuou negando a data do encontro. Negou também recebimento de telefonema de Regina, na manhã posterior, para comunicar a realização do trabalho. A versão caiu por terra, ainda durante seu depoimento, quando Regina enviou dados de sua relação telefônica, onde constavam ligações para o senador. Ainda assim, ele negou que tivesse falado com ela, porque o telefone celular ficara com sua secretária ou assessor.Hoje, já de posse de sua relação de ligações telefônicas, Arruda foi obrigado a "lembrar-se" da data do encontro, porque para agendá-lo ele havia ligado para Regina, no dia 27, a caminho de casa. E no dia seguinte, há novos registros de ligações, onde eles teriam trocado informações sobre a violação.

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