Arquivo de Curió confirma relatos de camponeses

Major será convidado a dar depoimento à Comissão de Anistia e à Secretaria Especial dos Direitos Humanos

Felipe Werneck, RIO, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2009 | 00h00

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse ontem que os arquivos sobre a Guerrilha do Araguaia (1972-1975) revelados ao Estado pelo oficial da reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió, "confirmam integralmente" relatos de camponeses da região feitos à Comissão de Anistia da pasta. Segundo ele, Curió será convidado pela comissão e pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos para, se quiser, dar seu depoimento. A intenção do ministro é que isso "facilite" a anistia de pessoas da região "atingidas por aqueles acontecimentos que a gente não quer que aconteçam nunca mais"."Temos uma série de depoimentos. Já anistiamos 44 camponeses que ficaram no fogo cruzado da guerrilha com o Exército e temos mais de 100 pedidos. O que posso dizer sobre isso no momento é que os arquivos do Curió confirmam integralmente os depoimentos que têm sido dados por camponeses", declarou o ministro, acrescentando "que teve, sim, um confronto entre o Estado e a guerrilha, datado dentro do regime autoritário, mas que houve uma grande vítima desse processo, além daqueles assassinados pelo regime e que vitimou também camponeses da região."DEFESATarso disse que o eventual depoimento de Curió também poderá ajudar nas buscas que o Ministério da Defesa pretende fazer na região, em cumprimento à ação judicial para entrega de corpos. "Estamos à disposição para nos integrar com o trabalho de perícia da Polícia Federal (PF), mas por enquanto está determinado ao Ministério da Defesa que cumpra a sentença. Não é o Ministério da Justiça. Se o ministro Jobim precisar, integramos imediatamente a PF e podemos ajudar", ressaltou Tarso Genro.Sobre as críticas em relação à participação de militares nas buscas, e não de civis, o ministro preferiu não se estender no comentário e foi sucinto na declaração. "Essa é uma opinião que não manifesto por enquanto." Ele participou ontem, no Rio, da assinatura de um acordo de cooperação com o governo do Estado para o combate a milícias. Além da participação da PF no planejamento de ações, o acordo prevê o encaminhamento de um projeto de lei ao Congresso propondo a tipificação do "crime de milícia", entre outras medidas.Os documentos revelados no domingo pela reportagem do Estado estavam guardados por Curió havia 34 anos. Detalham e confirmam a execução de adversários da ditadura em bases das Forças Armadas na Amazônia. Dos 67 integrantes do movimento de resistência mortos durante o conflito com militares, 41 foram presos, amarrados e executados quando não ofereciam risco às tropas, segundo os documentos. Até a abertura do arquivo de Curió, eram conhecidos 25 casos de execução.FRASESTarso GenroMinistro da Justiça"Temos uma série de depoimentos. Já anistiamos 44 camponeses que ficaram no fogo cruzado da guerrilha com o Exército e temos mais de 100 pedidos. O que posso dizer sobre isso no momento é que os arquivos do Curió confirmam integralmente os depoimentos que têm sido dados por camponeses""Ou seja, de que teve sim um confronto entre o Estado e a guerrilha, datado dentro do regime autoritário, mas que houve uma grande vítima desse processo, além daqueles assassinados pelo regime, que vitimou também camponeses da região"

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