Geraldo Magela/Ag. Senado / Divulgação
Geraldo Magela/Ag. Senado / Divulgação

Arquiteto diz ter sido contratado pela mulher de Cachoeira

Em sessão esvaziada da CPI, Alexandre Milhomen confirmou ter trabalhado em imóvel onde o contraventor foi preso; para relator, depoimento evidencia que a casa vendida pelo governador de Goiás pertencia ao bicheiro

26 Junho 2012 | 15h01

BRASÍLIA - O arquiteto Alexandre Milhomem disse, em depoimento à CPI do Cachoeira, que não sabia que a casa em que fez um projeto de decoração interna pertencia ao governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Milhomem afirmou que foi contratado por Andressa Mendonça, mulher do contraventor Carlinhos Cachoeira, para fazer inicialmente um projeto de decoração de uma outra casa para o casal.

 

Depois, segundo o arquiteto, o casal desistiu de tocar a construção da casa. Ele disse que já tinha até feito projetos arquitetônico e executivo e recebido cinco parcelas de R$ 10 mil pelo serviço. Foi aí que Andressa pediu-lhe para fazer um projeto de decoração provisória de uma outra casa, a de Perillo. O imóvel foi vendido no ano passado ao um empresário de Goiás e meses depois foi o palco da prisão de Carlinhos Cachoeira, em fevereiro deste ano.

 

O arquiteto informou que as negociações para esse trabalho começaram em maio, antes, portanto da efetivação da venda do imóvel. Na avaliação do relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), as informações confirmam que, ainda que o nome de Cachoeira não conste nos documentos de compra e venda da casa, o imóvel pertencia ao contraventor.

 

À CPI, o governador de Goiás afirmou que a venda da casa foi feita ao empresário Walter Paulo e que não tinha relações com Carlinhos Cachoeira. O imóvel foi vendido por R$ 1,4 millhão. Os sigilos bancários obtidos até agora pelos parlamentares reforçam a ligação entre Cachoeira e a casa do governador de Goiás. Os dados revelaram a sincronia financeira entre as contas da Alberto e Pantoja Construções, empresa de fachada usada para movimentar o dinheiro da Delta Construções Ltda., e a Excitante Indústria e Confecções, que emitiu os três cheques para o pagamento do imóvel de Perillo. A confecção de Anápolis é de uma cunhada de Cachoeira.

 

Em sua defesa, Perillo diz que não conferiu de quem eram os cheques. A CPI quebrou o sigilo bancário e fiscal do tucano, mas ainda não recebeu os dados.

 

Silêncio. Antes do depoimento do arquiteto, ficaram em silêncio  ex-assessor especial do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), Lúcio Fiúza Gouthier, e Écio Antônio Ribeiro, um dos sócios da Mestra Administração e Participações e apontado pela Polícia Federal como laranja no registro de venda da casa de Perillo em um cartório em Trindade (GO).

 

Na sessão desta quarta-feira, 28, Jayme Eduardo Rincón (ex-tesoureiro da campanha de Perillo); Eliane Gonçalves Pinheiro (ex-chefe de gabinete de Perillo) e Luiz Carlos Bordoni (jornalista autor de denúncias contra Perillo).

 

Os parlamentares tentarão novamente colocar em votação a convocação de Fernando Cavendish, ex-dono da Delta, empresa que faria parte do esquema de Cachoeira, e Luiz Antônio Pagot, ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.