Arquidiocese de SP protesta contra reajuste de 91%

A Arquidiocese de São Paulo lançou nesta quinta-feira, 21, manifesto de repúdio à "proposta de abusivo aumento salarial" dos congressistas, durante uma missa celebrada na catedral por d. Pedro Luiz Stringhini, bispo responsável pela Região Episcopal Belém e pelas pastorais sociais, que organizaram o protesto. Apesar de o Congresso haver adiado a votação do aumento, a Igreja decidiu continuar mobilizada, para impedir que a discussão seja retomada "em surdina" no próximo ano. "Num país onde a maioria da população ganha até dois salários mínimos, nossos representantes, deputados e senadores, que já contam com benefícios que chegam praticamente a R$ 100 mil mensais, aumentam seus próprios salários numa escala muito superior ao proposto para o aumento do salário mínimo e muito acima do já concedido a outras categorias do funcionalismo", afirma o manifesto, lido duas vezes no altar. Reforçando apelo do texto, distribuído após a celebração, segundo o qual "atos arrogantes como este das lideranças partidárias, ofensivos à democracia, exigem vigilância e repúdio constante da população", d. Pedro Luiz aconselhou os fiéis a ficarem atentos contra futuras investidas dos parlamentares. "Eles pensam que são os donos do País, pensam que o povo não conta, mas o povo vai se manifestando, pois a democracia avança, por mais que eles (os parlamentares) pensem que não", disse o bispo. D. Pedro Luiz, um dos nomes cotados para a sucessão do cardeal d. Cláudio Hummes, transferido para Roma como prefeito da Congregação para o Clero, revelou que escreveu ao presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B - SP) para dizer a ele que não pode haver paz sem justiça e que a "a sociedade está mais acordada do que se imagina". Há dois meses, lembrou o bispo, Aldo Rebelo participou de um ato pela paz na catedral de São Paulo.

Agencia Estado,

21 Dezembro 2006 | 20h12

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