JOSE PATRICIO/ESTADÃO
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Armênio Guedes, ex-dirigente do Partido Comunista Brasileiro, morre aos 96 anos

Político, que atuou ao lado de Luís Carlos Prestes, sofreu parada caradíaca consequência de infecção pulmonar

Ricardo Chapola, O Estado de S. Paulo

12 de março de 2015 | 15h17

Atualizado às 19h04

São Paulo - Morreu na madrugada desta quinta-feira, 12, o político Armênio Guedes, um dos últimos líderes comunistas brasileiros da época de Luís Carlos Prestes. Aos 96 anos, Guedes foi vítima de uma parada cardíaca decorrente de uma infecção pulmonar. Ele morreu no hospital Samaritano, no bairro do Higienópolis, onde estava internado havia duas semanas.

Nascido em Mucugê, na Bahia,em 1918, Guedes filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1935, onde trilhou a maior parte de sua história política. Foi exilado durante a ditadura militar, quando ainda era ligado ao PCB. Guedes deixou o partido apenas na década de 80.

O então número 2 do PCB, logo abaixo de Prestes, José Salles lamentou a morte do que foi seu adversário político. Para Salles, a política perdeu um "patrimônio" e afirmou que Guedes serviu de inspiração para si próprio.

"Guedes é um patrimônio de todos os políticos. É um homem que honra a democracia e que abriu caminhos aos políticos brasileiros", afirmou o ex-dirigente comunista.

"Teve uma vida invejável pela genialidade. Foi uma perda para a política brasileira, não só para os socialistas", complementou.

Guedes deixa apenas a mulher, Maria Cecília Comênego, 26 anos mais nova que o marido, com quem não teve filhos. Ele foi velado no cemitério do Araçá, no centro de São Paulo, e será cremado nesta tarde no crematório da Vila Alpina, na zona leste da capital paulista.

Políticos de diversos partidos lamentaram a morte de Armênio Guedes. "Além de todas as qualidades pessoais - cultura, interesse pela vida, generosidade, coragem -, o Armênio teve um papel importantíssimo na renovação do pensamento de uma parte importante da esquerda brasileira", afirmou o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), ex-militante do PCB durante a ditadura militar. "O Armênio foi quem, dentro da esquerda, de orientação comunista, defendeu a ideia da ruptura com o leninismo e da defesa da democracia como um valor permanente, universal, rompendo com a concepção que a democracia era apenas uma arma da burguesia para afirmar seu poder." 

Presidente nacional do PPS, partido "herdeiro" do PCB, o ex-deputado Roberto Freire também destacou os valores democráticos do antigo dirigente. "Ele foi talvez uma das cabeças mais lúcidas que o PCB teve. Ele foi um dos responsáveis pela criação de uma cultura democrática dentro do PCB no momento em que ainda o partido era um pouco prisioneiro do stalinismo", disse. "Eu tive a vontade de entrar no partido quando as ideias dele já tinha muitos adeptos. Nesses últimos anos me tornei uma pessoa que gozei da amizade dele. Ele morava perto de onde eu moro. Então nos encontrávamos sempre. É uma perda pessoal, Ele era um homem de esquerda de um democrata."

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