Argumentos da defesa devem ser rejeitados, diz relator no STF

Na leitura de seu voto, Joaquim Barbosa faz questão de citar Dirceu para negar que há julgamento político

23 de agosto de 2007 | 14h56

Joaquim Barbosa, relator do caso mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que os argumentos da defesa devem ser rejeitados e desconstrói as falas dos 27 advogados que discursaram em defesa de seus clientes. Barbosa iniciou a leitura do seu voto logo após a pausa para o almoço, afirmou que examinará "capítulo por capítulo" da denúncia e, ao citar as alegações feitas pela defesa, começou a rebater uma por uma. "Quanto às denúncias serem precipitadas, não há qualquer fundamento jurídico, e não há qualquer obstáculo ao oferecimento da denúncia", disse.  Veja Também:  Tudo sobre o mensalão   Ao final, Barbosa se refere diretamente ao caso do ex-ministro e deputado cassado José Dirceu. "Por fim, quanto à defesa de José Dirceu, que alega que querem imputá-lo um julgamento político, não há nenhuma base nisso. São imputadas a ele acusações com base em vícios que analisaremos se são suficientes ou não pra abrir processo penal. Não há nenhuma oposição política contra Dirceu, mesmo porque o judiciário não cuida de temas de natureza. Eu rejeito todas as preliminares apresentadas", completou.  O esquema do mensalão - pagamento de uma suposta mesada a parlamentares para votarem a favor de projetos do governo - foi denunciado por Roberto Jefferson, então deputado pelo PTB e presidente da legenda, que acabou sendo cassado por conta de seu envolvimento. Segundo Jefferson, os pagamentos mensais chegavam a R$ 30 mil e o esquema de repasse do dinheiro era feito através de movimentações financeiras do empresário Marcos Valério. Dos acusados de envolvimento no esquema, foram cassados José Dirceu, Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Pedro Corrêa (PP-PE). Quatro parlamentares renunciaram para fugir do processo e 11 foram absolvidos.

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