Argentina discute proposta de negociação Mercosul-UE

O governo argentino começa nesta segunda-feira a discutir com os empresários de diferentes segmentos uma proposta de negociações entre o Mercosul e a União Europeia com vistas a um acordo de livre-comércio entre as duas regiões. Posteriormente, a Argentina vai discutir com o Brasil e os demais sócios do Mercosul a "harmonização" das propostas para realizar a oferta à UE. A Argentina trabalha com um universo de 75% do comércio de setores menos sensíveis, podendo chegar a 85%, dependendo dos termos das conversas com o Brasil e com os empresários locais, segundo fontes oficiais. Negociadores dos dois países também deverão manter conversas nos próximos dias.

MARINA GUIMARÃES, CORRESPONDENTE, Agência Estado

16 de setembro de 2013 | 14h32

Os empresários argentinos vão discutir o assunto com a ministra de Indústria, Débora Giorgi, o secretário de Relações Econômicas Internacionais, Augusto Costa, o ministro de Agricultura, Norberto Yauhar, e a secretária de Comércio Exterior, Beatriz Paglieri. As autoridades vão entregar aos empresários documentos contendo detalhes e as implicações de um acordo de livre-comércio. Eles terão até 15 de outubro para apresentar suas listas de abertura de mercados, redução de alíquotas, prazos e indicar os produtos que devem ser excluídos do acordo, indicou uma das fontes ouvidas.

Empresários do setor industrial exportador, ligados à União Industrial Argentina (UIA), estão animados com a possibilidade de avançar na abertura do comércio. "Estamos muito interessados e eu vou pessoalmente participar da reunião como gesto para demonstrar o quanto é importante um avanço nesta direção", disse à Agência Estado o vice-presidente da UIA e presidente da Associação de Fábricas de Automotores (Adefa), equivalente à brasileira Anfavea, Cristiano Rattazzi.

Segundo ele, as indústrias de automóveis e de alimentos são as mais interessadas em um acordo porque precisam conquistar mercados. "Estou otimista por começarmos a delinear algo, especialmente porque estes dois setores respondem por 50% do PIB industrial do país e precisa se abrir", afirmou Rattazzi.

Desconfiança

Empresários de outros segmentos, que preferem não ser identificados, também se mostram entusiasmados, mas bastante desconfiados. "Este governo nunca mostrou vocação negociadora nestes últimos dez anos e acredito ser difícil uma mudança agora. Acho que a proposta argentina seria muito conservadora", afirmou um deles.

Outro ponderou que "a decisão séria do Brasil de avançar concretamente" no livre-comércio com a Europa poderia favorecer uma flexibilidade por parte do governo argentino, sempre tão reticente a fazer concessões.

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