Argello toma posse e já é denunciado pelo PSOL

Gim Argello (PTB-DF) assumiu ontem à tarde a vaga de senador deixada por Joaquim Roriz (PMDB-DF), que renunciou ao mandato em 4 de julho, e já é alvo de pedido de abertura de processo que pode levar à sua cassação. Poucos minutos depois de Argello tomar posse, diante de um plenário silencioso e claramente constrangido, o PSOL apresentou representação contra o petebista, sob alegação de que ele é acusado de envolvimento com o esquema de corrupção investigado pela Operação Aquarela, da Polícia Civil, que trata de desvio de recursos do Banco Regional de Brasília (BRB). A mesma acusação levou Roriz a renunciar para escapar de processo de cassação."Infelizmente o Senado não pode impedir a posse dele", lamentou o primeiro vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), encarregado de empossar Argello. O petebista optou por assumir no último dia de trabalho do Senado, antes do recesso parlamentar de 15 dias, que começa hoje, para ganhar tempo.Assim que tomou posse, Argello passou pela maior saia-justa: o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), fez um resumo dos inquéritos aos quais ele responde na Justiça e pediu explicações. "É seu dever ir à tribuna e responder a todas as acusações", provocou. "Não devo nada. Não tenho culpa. Só não gostaria de ser prejulgado. No momento oportuno mostrarei minha defesa", respondeu o petebista. Hoje de manhã, o corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), vai pedir ao juiz Roberval Belinati, da 1ª Vara Criminal de Brasília, documentação sobre a participação de Argello no esquema do BRB. Há cerca de 15 dias, em uma conversa entre Tuma e Belinati, o juiz deixou claro que o suplente de Roriz também está envolvido no escândalo. "Existem fatos graves que estão em segredo de Justiça", observou Tuma, que recebeu a defesa de Argello ontem pela manhã. Os documentos foram entregues pelo ex-ministro Maurício Corrêa, advogado do petebista. Tuma disse que pretende investigar Argello durante o recesso parlamentar. Acompanhado da ex-mulher Márcia Cristina e do filho Jorge Afonso, de 16 anos, Argello tomou posse visivelmente constrangido. A claque de aliados políticos que levou para o plenário não ousou sequer bater palmas. Apenas o senador Wellington Salgado (PMDB-MG) cumprimentou Argello depois da posse.

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