Área em Ribeirão Preto vira alvo do MST

Movimento fez ainda protestos no PR e bloqueios de estradas no RS

Brás Henrique, RIBEIRÃO PRETO, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2025 | 00h00

Ao menos 150 integrantes do Movimento dos Sem-terra (MST) invadiram ontem a Fazenda São João (apelidada de Da Barra 2), em Ribeirão Preto (SP). A área, com plantio de cana, fica ao lado da Da Barra, que foi desapropriada e teve a imissão na posse para reforma agrária concedida pela Justiça em maio. A ocupação de ontem integra a Jornada Nacional de Lutas do MST, prevista para acabar na sexta-feira.Segundo Fábio Henrique da Costa, do MST paulista, a área invadida tem cana plantada, mas não estaria cumprindo sua função social. Costa não soube informar o tamanho da propriedade, que seria do antigo dono da Da Barra, mas alegou que estaria hipotecada. A Polícia Militar registrou a ocorrência, mas foi embora.Com facões e podões, os sem-terra derrubaram parte do canavial para montar acampamento. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em São Paulo, informou que não existe processo aberto contra a Da Barra 2. A cana plantada pertence à Usina da Pedra, de Serrana, que informou que o pedido de reintegração de posse deverá ser feito pelo dono da área. O advogado de Roberto Guidoni Sobrinho, o proprietário, deve acionar Justiça.NO SULO MST também agiu ontem no Sul do País. Foram feitos bloqueios em oito estradas gaúchas - Seberi, Erechim, Santo Augusto, Palmeira das Missões, Camaquã, Canguçu, Sarandi e Tabaí. Os sem-terra invadiram ainda os pátios do Incra e da Secretaria da Agricultura em Porto Alegre. Conforme o MST, a meta é cobrar políticas públicas para assentamentos, renegociação de dívidas e audiência com a governadora Yeda Crusius (PSDB).No Paraná, o movimento protestou em frente a agências do Banco do Brasil, ação que deve se repetir para marcar o Dia do Trabalhador Rural, celebrado hoje. Cerca de 5 mil famílias estão mobilizadas, diz o MST. O banco afirmou que nenhuma agência chegou a ser invadida nem os clientes foram impedidos de entrar. Entre as reivindicações no Estado estão renegociação das dívidas.O MST também denunciou à polícia ontem que seguranças da Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste (PR), deram tiros e ameaçaram famílias que saíram da área no dia 18, mas permanecem nas proximidades. A Syngenta informou que os seguranças privados são proibidos de usar armas.

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