Área de busca ainda está tomada pelo cheiro de querosene

'Estado' tem acesso ao local onde 40 pessoas buscam partes do avião para tentar reconstituir desastre que matou Campos

DIEGO ZANCHETTA / SANTOS, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2014 | 02h01

É no meio de montanhas de entulho que ainda exalam forte cheiro de querosene e dentro de uma pequena piscina com menos de 1 metro de água preta que cerca de 40 pessoas, entre bombeiros, peritos da Aeronáutica e dos EUA e agentes da Polícia Federal, se concentram nas buscas por partes da aeronave que caiu quarta-feira no Boqueirão, bairro residencial de Santos, no litoral paulista. As buscas por fragmentos de corpos das vítimas foram encerradas ontem por volta das 13h.

Cada parafuso ou lâmina de metal encontrado podem agora ser decisivos para ajudar a encontrar pistas para as causas da tragédia, segundo os peritos.

O Estado teve acesso com exclusividade ao terreno com cerca de 120 m² onde são concentradas as buscas desde quarta-feira. Os bombeiros estavam no início da manhã de ontem retirando peças do avião, entre elas uma parte da asa esquerda de quatro quilos, a maior parte do jato encontrada até agora. Sem o áudio da caixa preta com a conversa entre os pilotos, os peritos do Cenipa consideram fundamental remontar pelo menos parte da aeronave e identificar qual foi seu trajeto a partir da Base Aérea do Guarujá, após a arremetida. Ali, quatro peritos se concentram em tentar reconstruir parte do avião.

O cenário no bambuzal onde o jato caiu ainda é de destruição total. A lateral do prédio atingido pela explosão que aconteceu após a queda está em ruínas.

Um tradutor faz a intermediação do diálogo dos dois peritos americanos com os bombeiros. Já os peritos do Cenipa e os agentes da PF falam em inglês com a dupla. As peças são imediatamente lavadas e colocadas em baldes que são encaminhados para a base da Aeronáutica no Guarujá.

Equipes da Defesa Civil tentam ajudar a remover o entulho removido pelo Corpo de Bombeiros nas buscas. Com pequenas redes, bombeiros tentam vasculhar no fundo da piscina do sobrado atingido pela frente da aeronave pequenas peças do avião. Ao todo, nove baldes com pequenas peças encontradas ontem já foram enviados do local das buscas para a base no Guarujá.

Interdição. Moradores do prédio que segue interditado também não conseguiram voltar para pegar seus pertences. "No dia do acidente minha mãe tinha operado havia só quatro dias. Ela agora vai ficar em uma clínica. O duro é que nenhum representante da empresa dona do avião ou da Cessna nos procurou até agora", reclamou o advogado Vinícius Campos.

Mais três ruas do Boqueirão foram interditadas ontem pela PF, que voltou a usar drones e robôs para tentar fazer o mapeamento em 3D de toda a área do acidente. As buscas vão ser mantidas pelo menos até a noite de hoje.

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