Arcebispo do Rio pede voto a quem 'defender a vida'

D. Scheid pede a fiéis para nunca elegerem políticos a favor do aborto, mesmo em caso de vítimas de estupros

Marcelo Auler, Agencia Estado

26 Janeiro 2008 | 13h34

Ao fazer a apresentação da próxima Campanha da Fraternidade - "Fraternidade e defesa da vida", a ser lançada na Quarta-Feira de Cinzas, dia 6 de fevereiro, pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o cardeal arcebispo do Rio, dom Eusébio Scheid, conclamou cerca de mil fiéis do Rio, a nunca elegerem pessoas que são contra a vida.   No encontro que manteve com estes fiéis na manhã deste sábado, 26, na Catedral metropolitana do Rio, dom Eusébio deu sinais de qual será o tom da Igreja durante o período da Quaresma - da Quarta-Feira de Cinzas ao Domingo de Ramos, 16 de março. "No governo, nunca poderiam entrar promotores da morte. Nós precisamos no Brasil de gente viva, não daqueles que vão entrar e aprovar a despenalização, até a aprovação indistinta do aborto. A política tem que defender a vida, jamais atacá-la, muito menos acometê-las com leis que vão contra à própria natureza".   O cardeal lembrou a última eleição quando a Igreja fez campanha contra a deputada Jandira Feghali (PCdoB) por ela defender o aborto. Ela concorria ao Senado e, mesmo com uma vantagem de 28% nas pesquisas, acabou perdendo. "Vocês sabem da célebre deputada, que na última vez perdeu com 28 % de vantagem por que, simplesmente, sendo médica, só queria matar as crianças".   Dom Eusébio condenou o aborto mesmo nos casos de vítimas de estupros. "Normalmente a vida nasce como fruto do amor. Mas pode, por desgraça, por acidente, por abuso, pode nascer de um ato de brutalidade, de agressão, que nós chamamos normalmente de estupro. Assim mesmo, esta vida é única, é preciosa, é indestrutível", acentuou.   Para ilustrar sua fala aos fiéis que se preparam para liderarem a Campanha da Fraternidade em suas regiões, ele falou da sua sobrinha e afilhada, Aline, hoje com 10 anos. Ela, após nascer, foi deixada em uma encruzilhada do Rio Grande do Sul. Salva por um casal de namorados, foi adotada pela sobrinha do bispo. "Não sei como é a história da mãe da minha querida Aline. Não acentuando este caso grave, dela ter jogado a filha à beira do caminho - se é que foi ela - ela, certamente, estava desprotegida".   Por isto, lembrou que não basta simplesmente defenderem o direito à vida das crianças. "Quando defendemos a vida, especialmente dos nascituros, também temos que tomar decisões práticas para ajudarmos às mulheres grávidas ou parturientes que não sabem nem como fazer para ter um filho. Queremos ajudar a mãe e o pai, para que eles possam ajudar à criança", explicou.   Insistindo na posição dos fiéis de não votarem em quem defende o aborto, ressaltou ter consciência do peso da sua voz como pastor. "Estou falando para uma maioria de mães, de pais, de líderes desta campanha". Anunciou que "na hora certa, quando lançarmos a cartilha sobre as eleições, vamos acentuar bem isto. Se lembre que o seu cardeal arcebispo lhes pediu isto encarecidamente".

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