Arcebispo do Rio critica proposta de legalização do aborto

O arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Dom Eusébio Oscar Scheid, aproveitou a cerimônia do Auto da Paixão de Cristo, em que atores representam a crucificação de Jesus, para combater a legalização do aborto e a proposta de plebiscito em torno da questão."Pedimos a todas as mães que, pelo amor de Jesus, nunca queiram matar um filho. Não podemos permitir a matança de inocentes como quer este projeto infeliz. Que jamais seja aprovado", conclamou o cardeal-arcebispo do Rio diante de uma platéia de 10 mil pessoas, que na noite de sexta-feira, 6, assistiu à encenação. No momento do seu apelo, no palco montado nos Arcos da Lapa, Maria recebia no colo o corpo de Cristo morto.Horas antes, em entrevista ao Estado, dom Eusébio disse não considerar o aborto passível de legalização. "O direito à vida é um direito natural, não um direito a ser legalizado." Ele classificou ainda como "idéia infeliz" alguém pensar em atentar contra a vida. "Até a ciência, os psicólogos, já provaram que a vida humana existe desde o início da gestação", disse. "E cessa apenas com a morte natural", acrescentou.O cardeal não quis, entretanto, responder se pretende tratar do assunto com ministro da Saúde, o carioca José Gomes Temporão, principal defensor da realização de um plebiscito nacional sobre o aborto. "Eu tenho uma comissão para examinar este assunto", afirmou. A proposta do plebiscito foi aprovada esta semana pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado."Hoje acentuei a causa pela qual Cristo morreu: ele destruiu a morte e nos deu a sua paz", disse. "Uma paz que não é feita de acordos, conchavos ou contratos, mas que brota do próprio amor de Deus em todo o momento da vida", completou. "Paz para todos, até para os que têm a infeliz idéia de atentar contra a vida", disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.