Araponga teria montado dossiê para campanha de Dilma

A articulação para montar uma central de dossiês a serviço da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República teria contado com a participação de arapongas ligados aos serviços secretos oficiais, segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. Um deles seria o sargento da reserva Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, recém-saído do Cisa, o serviço secreto da Aeronáutica. Conhecido personagem de apurações sigilosas em Brasília, o sargento esteve ligado, por exemplo, às investigações que deram origem à Operação Satiagraha.

AE, Agência Estado

05 de junho de 2010 | 07h35

De acordo com a reportagem, houve contato entre o agente e um dos principais profissionais da área de comunicação da campanha de Dilma, o jornalista e consultor Luiz Lanzetta, dono da Lanza Comunicação, contratada pelo PT para assessoria de imprensa da campanha. O valor do serviço prestado pelo araponga e o delegado aposentado da Polícia Federal Onésimo de Souza, dono de uma pequena empresa de segurança de Brasília, seria de R$ 200 mil por mês, com o argumento de que seria preciso montar uma equipe de 12 pessoas para a missão. O pacote incluiria ainda investigações que pudessem dar à campanha de Dilma munição para ser usada, em caso de necessidade, contra adversários, como José Serra.

A proposta teria sido levada, então, para o núcleo central do comitê de Dilma. O assunto teria sido discutido com o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, coordenador da campanha. Ao jornal O Estado de S. Paulo, Pimentel negou que tenha sido procurado pelo grupo de Lanzetta para tratar de contrato o araponga. "Se houve isso, é iniciativa da empresa do Lanzetta, para resolver algum problema relacionado à empresa dele", disse. "Nunca tratamos disso na coordenação da campanha."

Procurado pela reportagem, Idalberto não quis falar sobre o assunto. Lanzetta se negou a dar declarações, embora tenha admitido o contato com o araponga e o ex-delegado. Onésimo de Souza não foi localizado. A assessoria de Dilma limitou-se a reproduzir declaração da pré-candidata petista, segundo a qual não havia ninguém autorizado a negociar dossiês para a campanha.

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