Araponga ligado ao GSI vigiou Dantas, diz ''Veja''

Um dos 84 espiões que Abin cedeu à PF, Leandro foi segurança de Lula

, O Estadao de S.Paulo

29 de novembro de 2008 | 00h00

O tenente da Polícia Militar paulista Antônio Leandro de Souza Júnior, requisitado em 2005 pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que já atuou como segurança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi um dos 84 espiões cedidos pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ao delegado Protógenes Queiroz para trabalhar na Operação Satiagraha, que investigou o banqueiro Daniel Dantas, revela a revista Veja desta semana.Cedido pela PM paulista ao GSI, Leandro acabou emprestado a Protógenes e à Polícia Federal pela Abin, com a qual, aparentemente, não tem nenhum vínculo funcional. A história se revelou depois de uma abordagem policial feita em 27 de maio passado, no Rio de Janeiro, por policiais da Delegacia Anti-Seqüestro do Rio. Ocupando um Astra da Abin, ele fazia campana num edifício da zona sul.Ao ser interpelado pelos policiais, Leandro, segundo a revista, teria exibido uma identidade da Presidência da República e explicado que investigava "espiões russos". Ao ser entrevistado agora por Veja, o PM admitiu que o alvo de sua campana era Humberto Braz, sócio de Dantas, e a tarefa lhe fora encomendada pelo seu superior na Abin em São Paulo.Ele contou à revista que, na ocasião, nem sequer sabia o nome do homem a quem deveria seguir - a ordem fora para apenas seguir uma pessoa e um carro. Em suas declarações, Leandro deixa claro todo o tempo que estava trabalhando para a Abin e que desconhecia mais detalhes da Satiagraha. "Eu não sabia que a Polícia Federal estava nessa operação", afirmou o tenente PM à revista. A revelação cria um complicador para o governo, para o ministro Jorge Félix e para o diretor afastado da Abin, delegado Paulo Lacerda: o nome do tenente PM estava arrolado na lista de 84 espiões da Abin cedidos ao delegado Protógenes Queiroz, para ajudar nas investigações da Operação Satiagraha. Mas até aqui não se sabia que sua cessão funcional foi feita ao GSI - e não à Abin, que o emprestou a Protógenes.Segundo a revista, em maio o governo fluminense comunicou o incidente a Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente Lula, que se reportou ao general Jorge Félix, ministro-chefe do GSI. Na ocasião, afirma Veja, Félix disse a Carvalho para não se incomodar, porque o homem abordado seguia "espiões russos". Aparentemente, de acordo com o relato da revista, o general sabia da abordagem a Leandro antes que Carvalho lhe contasse.O Estado tentou ouvir o GSI e a Abin, mas os dois órgãos não quiseram comentar as revelações da revista.

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