Aracruz adia anúncio do local onde construirá nova fábrica

A Aracruz Celulose vai adiar em dois meses o anúncio do local onde irá construir uma nova fábrica capaz de produzir 1 milhão de toneladas de celulose. Um investimento avaliado em US$ 1,2 bilhão. O diretor de operações da empresa, Walter Lidio Nunes, disse que a decisão não está vinculada à recente destruição de um laboratório por mulheres ligadas a Via Campesina, em Barra do Ribeiro, no Rio Grande do Sul - Estado que disputa o investimento com a Bahia e o Espírito Santo. Em uma conversa com o presidente da Assembléia Gaúcha, Luiz Fernando Zachia, Nunes informou que a definição depende de negócios com o governo do Estado. A previsão inicial era de que o anúncio seria feito no final deste mês.Movimento pacíficoApesar da Aracruz não vincular suas decisões ao episódio de Barra do Ribeiro, que deixou prejuízos já calculados de US$ 400 mil, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Celulose e Papel (Bracelpa), Osmar Elias Zogbi disse que invasões e depredações podem tirar a vontade de empreender de empresários do setor. Também advertiu que a falta de solução para os problemas sociais do Brasil pode afugentar investidores estrangeiros, lembrando que o setor de celulose e papel apresentou ao governo um programa de investimentos de US$ 14,5 bilhões ao final de 2003 para ampliar a produção para o mercado interno e externo, e pode desistir de algum projeto. Citou os casos da norte-americana International Paper e da norueguesa Norske Skop Pisa, que adiaram projetos no Mato Grosso e Paraná à espera de garantias para produzir.Lembrou ainda que o Brasil alcança a maior produtividade do mundo na área de eucaliptos e tem 1,5 milhão de hectares plantados e 2,6 milhões de hectares preservados pelas empresas do setor. "É lamentável que ainda não haja entendimento entre o governo e a sociedade", comentou. "O movimento social tem que ser pacífico."

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