Apuração não aponta, até agora, participação de Dirceu, diz PF

O encarregado do inquérito do caso Waldomiro Diniz, delegado Antônio César Nunes, da Polícia Federal, informou hoje que as investigações não apontaram, até agora, para o envolvimento do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, ou de qualquer outro membro do governo federal nas denúncias. O único indiciado, por enquanto, é o próprio Waldomiro, levado por Dirceu para a subchefia de Assuntos Parlamentares do Palácio do Planalto. Ele é acusado de corrupção passiva, improbidade administrativa e concussão por ter negociado propinas e doações ilegais de campanha com o bicheiro Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira, além de ter intermediado, com dolo, a renovação de contrato entre a multinacional Gtech e a Caixa Econômica Federal para operação da rede de loterias. Segundo o delegado, já há elementos para inidiciar também o empresário Rogério Buratti, indicado por Waldomiro para intermediar a renovação do contrato com a Caixa. Ex-secretário de governo de Ribeirão Preto em 1994, quando era prefeito o atual ministro da Fazenda, Antônio Palocci, Buratti será convocado a depor na próxima semana e deverá sair da audiência indiciado. Ele pressionou a empresa a pagar entre R$ 15 e R$ 20 milhões pela intermediação. O contrato foi renovado em abril de 2003, por 25 meses, e renderá R$ 650 milhões de comissão à Gtech. Da parte do governo, quem está mais perto do indiciamento é a Diretoria da Caixa, tanto a atual como a anterior. A renovação do contrato foi reiteradas vezes condenada pela Consultoria Jurídica e pelos setores técnicos da instituição, inclusive o Conselho Fiscal, mas as Diretorias acabaram prorrogando sucessivas vezes a validade.César Nunes informou, que ainda precisa esclarecer algumas contradições para definir quais diretores tiveram participação direta nas irregularidades.

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