JF Diorio/AE
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Aproximação de tucanos à candidatura petista é natural, afirma Haddad

Simpatizantes históricos do PSDB manifestaram apoio ao PT nas últimas semanas

Ricardo Chapola, estadão.com.br

07 de maio de 2012 | 20h46

SÃO PAULO - Não foi nada além do natural, na visão do pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, o apoio que intelectuais e ex-ministros tucanos manifestaram em favor de sua candidatura. O petista disse que a movimentação é resultado da "nova feição" do PSDB sob o comando de seu adversário José Serra, mais conservadora e avessa a transformações. "É uma movimentação quase natural em função das decisões que o PSDB tomou sob o comando do PSDB desde 2010, e que ele já reafirmou que procurará manter nas eleições de 2012", argumentou nesta segunda-feira, 7, durante visita à região do Jabaquara.

Nas últimas semanas, o petista conseguiu seduzir simpatizantes do PSDB em torno de sua candidatura, dois deles ex-ministros na gestão de FHC: Luiz Carlos Bresser-Pereira e Claudia Costin. A mudança, segundo Haddad, é entendida como uma busca de alternativas às demandas que Serra continuaria não atendendo. "Como ele reafirma que manterá essa mesma linha, eu penso que é natural que pessoas que têm um compromisso com a mudança social, com o progresso, com o desenvolvimento humano vão procurar alternativas. E eu pretendo ser uma delas", disse. "A questão de cultuar a diversidade e combater a desigualdade socioeconômica são bandeiras que podem unir pessoas que, em outros tempos, estavam em campos opostos".

Terceira via. Haddad respondeu à manutenção da candidatura de Celso Russomanno pelo PRB, anunciada nesta segunda-feira, como a opção mais viável frente à construção de uma terceira via, eventualmente composta por PC do B, PRB e PMDB, todos com candidatos próprios. "Sempre considerei improvável que isso fosse acontecer. É muito difícil reunir uma terceira força aos moldes do que estava sendo proposto", opinou. Além de Russomanno, o pré-candidato do PC do B, Netinho de Paula, também defendia a formação de um bloco que fizesse frente à polarização entre PT e PSDB nas eleições municipais.

O ex-ministro, no entanto, não descartou as chances de coalizão e voltou a afirmar que, a despeito das candidaturas, todos eles "mantiveram os canais de interlocução desobstruídos". Haddad previu que o mês de maio será carregado de negociações.

Durante visita à região do Jabaquara, o petista prometeu rever o projeto urbano Águas Espraiadas, que contempla a integração da Avenida Roberto Marinho com a Rodovia dos Imigrantes. Ele criticou as decisões da Prefeitura, tomadas em parceria com a Dersa, e classificou como "história mal contada" as modificações que sofreram a proposta. "O túnel, ao invés de afetar menos, afeta mais pessoas. É uma decisão tecnicamente contestável. Inclusive, que encareceu o projeto. Era um projeto menos invasivo e urbanisticamente bem concebido: promovia a integração, com custo menor e com menos repercussão na vida das pessoas", avaliou.

Haddad calculou que, com o excedente gasto nas obras, o governo municipal conseguiria liquidar o déficit de creches na cidade. Os custos adicionais bateriam a casa dos R$ 2 bilhões.

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