Aprovada quebra de sigilo de Eduardo Jorge

A 10ª Vara da Justiça Federal, em Brasília, aprovou ontem o pedido de quebra de sigilo bancário do ex-ministro Eduardo Jorge Caldas Pereira, que foi secretário-geral da Presidência da República no primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. A determinação de quebra do sigilo atende a uma solicitação apresentada pelo procurador da República no Distrito Federal, Luiz Francisco de Souza, pouco depois de surgirem as primeiras denúncias, em fevereiro deste ano, de uma suposta ligação entre Eduardo Jorge e o então presidente do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP), juiz Nicolau dos Santos Neto, atualmente preso sob acusação de comandar, com o então senador Luiz Estevão (que depois teve o mandato cassado), o desvio de verba pública de R$ 169 milhões destinada à obra de construção do TRT-SP.Eduardo Jorge, ontem à noite, declarava-se perplexo com a decisão da Justiça, pois, segundo ele, a própria 10ª Vara havia informado a seu advogado que não tomara qualquer decisão nesse sentido. "Como pode um cidadão ter seu sigilo quebrado, seja lá do que for, sem ter sido ouvido? O mundo jurídico do País deveria se levantar contra isso, se for verdade", declarou o ex-ministro. Eduardo Jorge contou que às 17h50 de ontem, dez minutos antes do encerramento do expediente na 10ª Vara da Justiça Federal, a diretoria da Secretaria dessa vara desmentiu ao seu advogado de defesa José Gerardo Grossi que tivesse sido adotada ali alguma decisão a esse respeito. "Eu não reclamo nem do fato de não poder me defender perante a Justiça; na verdade, eu nunca fui ouvido nesse inquérito aberto pelo procurador Luiz Francisco de Souza", finalizou o ex-ministro.

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