Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Aprovação do governo de Dilma Rousseff fica estável em pesquisa

Levantamento aponta que número de eleitores que consideram administração da presidente como ruim ou péssima caiu para 60%

Danielle Chaves, O Estado de S. Paulo

11 Abril 2015 | 16h57

A avaliação da presidente Dilma Rousseff parou de cair, mas quase dois em cada três brasileiros disseram ser favoráveis à abertura de um processo de impeachment contra a petista com base no que sabem sobre a investigação dos desvios na Petrobrás, segundo pesquisa Datafolha divulgada ontem pelo site do jornal Folha de S. Paulo. Apesar de 63% dos entrevistados apoiar o afastamento da presidente, um contingente quase igual (64%) não acredita que isso vá ocorrer.

O instituto ouviu 2.834 pessoas em 171 cidades na quinta e na sexta-feira. Desse total, embora o índice de apoio ao impeachment seja alto, também é grande o desconhecimento sobre o desenrolar do processo, caso Dilma fosse afastada do Palácio do Planalto: 40% não sabem quem assumiria a Presidência e 20% apontam outras pessoas que não o vice-presidente, Michel Temer – 12% acreditam que seria o senador tucano Aécio Neves (MG), derrotado pela petista no 2.º turno da eleição.

Ou seja, segundo o levantamento, apenas 12% dos entrevistados são favoráveis ao impeachment de Dilma, sabem que o vice assume o cargo em caso de afastamento e que esta pessoa é o peemedebista Michel Temer. O conhecimento de quem substitui um presidente em caso de impeachment, e de que se trata de Temer, é maior entre os 33% que rejeitam a abertura de processo contra Dilma com base na Operação Lava Jato. A petista não é investigada no caso.

O Datafolha também mediu o apoio dos brasileiros aos protestos contra o governo e constatou um índice superior à adesão ao impeachment: 75%. A maioria, 57% dos entrevistados, acha que Dilma sabia da corrupção na Petrobrás e deixou os desvios ocorrerem e 26% consideram que a presidente tinha conhecimento, mas não poderia evitar as irregularidades. Só 12% acreditam que Dilma não sabia do esquema de cobrança de propinas que beneficiou partidos e políticos.

A pesquisa aponta pela primeira vez a corrupção como tema que mais preocupa os entrevistados em empate técnico com a saúde: 22% a 23%, respectivamente. Desde que Dilma chegou ao Planalto, em 2011, a saúde sempre liderou de forma isolada a lista do que o brasileiro considera o principal problema do País.

AVALIAÇÃO

Os índices ficaram estáveis quando se procurou medir a avaliação do governo. Seis em dez entrevistados consideram a gestão Dilma ruim ou péssima, variação dentro da margem de erro de 2 pontos – eram 62% em março. O índice dos que aprovam o governo ficou idêntico: 13%.

Esses porcentuais são próximos dos registrados por outros presidentes em momentos de crise política ou econômica aguda. No dia 1.º, pesquisa CNI/Ibope mostrou que a reprovação ao governo havia atingido o ponto mais alto dos últimos 26 anos, com 64% de avaliação ruim ou péssima, igualando recorde de José Sarney (PMDB).

Entre os entrevistados do Datafolha, seguem altas as percepções de que a situação econômica do País vai piorar (58%), a inflação vai aumentar (78%) e o desemprego, também (70%).

O instituto também quis saber em quem o entrevistado votaria se houvesse novas eleições. Houve empate no limite da margem de erro: Aécio registrou 33% e Luiz Inácio Lula da Silva, 29%. Marina Silva e Joaquim Barbosa tiveram 13% cada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.