Aprovação de Dilma é resultado do bem-estar econômico, afirmam analistas

Níveis de emprego e elevada expectativa de consumo explicam popularidade recorde da presidente, segundo apontou pesquisa da CNI/Ibope

Daiene Cardoso, da Agência Estado

04 de abril de 2012 | 14h55

A aprovação recorde de 77% da presidente Dilma Rousseff, divulgada hoje (04) pela pesquisa CNI/Ibope, é vista pelos analistas políticos como um indicador do bem-estar da população diante dos alto níveis de emprego e da elevada expectativa de consumo. Para os cientistas, independentemente da firmeza de Dilma no trato com a classe política e seu "estilo próprio de governar", a popularidade da presidente e de seu governo continuará em alta enquanto o desemprego estiver em baixa e o brasileiro estiver disposto a gastar."O principal ponto da pesquisa é que o brasileiro está muito bem, obrigado, e a pesquisa é um indicador de bem-estar", resumiu o cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Fernando Abrucio.

 

Com os números da economia apontando que o País se aproxima do pleno emprego (a taxa oficial de desemprego divulgada pelo IBGE registrou 5,70% de desemprego em fevereiro), que a massa salarial cresceu e que há uma ascensão da classe C, a população percebe que não houve decréscimo de sua qualidade de vida durante o governo Dilma. "Enquanto o desemprego e o consumo tiverem índices altos, a popularidade estará alta", avaliou Carlos Melo, do Insper. "Se o desemprego fosse alto e a expectativa de consumo fosse baixa, não teria faxina ou atributo pessoal nenhum que segurasse essa aprovação", emendou.

 

Rafael Cortez, da Tendências Consultoria Integrada, acredita que Dilma se beneficia não só da situação econômica do País, como de seu embate com a base aliada. "A presidente tem uma imagem positiva junto ao eleitorado que decorre em parte do aquecimento do mercado de trabalho, mas tem sua explicação central na imagem de que Dilma tem baixa tolerância com o Congresso", afirmou.

 

Para Fernando Abrucio, a imagem que a população tem do Congresso já é ruim e, ao ser confrontada pelos aliados no parlamento, Dilma ganhou o respaldo imediato do eleitorado. "Quando o Congresso tenta emparedar a presidente e ela age de maneira sóbria e séria, a população fica do lado da presidente", analisou. "Os eleitores olham para o Congresso e veem chantagem, um Congresso que não consegue se auto punir", concordou Melo. A tendência, segundo Abrucio, é que o caso envolvendo o senador Demóstenes Torres (ex-DEM/GO), agrave a visão que a população tem do legislativo. "A imagem do Congresso é muito ruim e o caso Demóstenes não se restringe ao senador. O caso dele afeta ainda mais a imagem do Congresso", completou.

 

Os analistas acreditam que o alto nível de aprovação pessoal indica também que Dilma agrada lulistas e anti-lulistas, satisfaz o eleitorado que reprova o comportamento dos parlamentares e os que avaliam como positiva a política econômica e seu estilo próprio de governar. "Ela se favorece, seja de uma forma ou de outra. Ela soma ao invés de subtrair", afirmou Abrucio.

 

Impostos. O que mais chamou a atenção dos cientistas políticos foi o item da pesquisa que apontou que 65% dos entrevistados estão insatisfeitos com a carga tributária. "Isso é recente e tem a ver com a ascensão da classe C, que se deu conta que paga mais impostos", disse o analista da FGV. "Hoje, com a carteira assinada, o brasileiro vê os descontos no contracheque", apontou Melo. A pesquisa CNI/Ibope também colocou as áreas da saúde e segurança como setores em que o governo federal é reprovado mas, de acordo com Abrucio, esses dois temas estão entre as grandes preocupações dos brasileiros nos últimos 10 anos.

 

Os analistas observam que a questão dos impostos se tornou assunto recorrente nos discursos de Dilma, isto é, ela já se deu conta que isso pode interferir em sua popularidade. "Ela vem falando com frequência da questão tributária", disse o cientista do Insper. Para satisfazer a população atenta à alta carga tributária, a expectativa é de que Dilma se concentre ainda mais neste tema. "Há uma tendência de Dilma, até 2014, de fazer mais cortes de impostos mirando os novos eleitores", previu Abrucio.

 

 

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