Aprovação da gestão Marta cai 14 pontos

A gestão da prefeita Marta Suplicy (PT) à frente da maior cidade do País completa hoje três anos e meio com uma piora acentuada na avaliação dos paulistanos. Às vésperas das eleições, a taxa de aprovação da administração despencou 14 pontos porcentuais desde dezembro: caiu de 72,6% para 58,2%. O levantamento mostrou, por exemplo, que o índice dos que consideram a gestão péssima disparou: de 9,6%, subiu para 21,2%. Se o bom desempenho do ano passado estava ligado à construção dos Centros Educacionais Unificados (CEUs) e a melhorias no setor do transporte - a Prefeitura tinha inaugurado na época o primeiro Passa-Rápido -, a queda deste ano pode ser atribuída em parte à má avaliação da saúde. Ela é considerada o pior setor da administração municipal por 30,6% dos pesquisados, ante 19,5% registrados em dezembro. Quem acompanhou de perto o início da gestão Marta, como o médico Lucivaldo Tapajós Figueira, da Consultoria em Administração Municipal (Conam), argumenta que Marta herdou dos governos Maluf-Pitta um sistema público de saúde repleto de problemas, com a experiência desastrosa do Plano de Atenção à Saúde (PAS). Isto posto, Figueira aponta as principais falhas dos petistas nessa área: a falta de investimento no Programa de Saúde da Família, hospitais municipais sucateados e ausência de agressividade na política de medicamentos. "Ela conta com gente competente no governo, como o ex-secretário Eduardo Jorge e o atual, Gonçalo Vecina, mas não quer fazer o que eles determinam. Fica difícil conseguir avanços." Apesar do que considera aspectos positivos, como o êxito na campanha de combate à dengue, Figueira acha que a prefeita não merece ganhar nota acima de 5 na área. "A população carente continua sem assistência. Marta se preocupa mais com CEUs." De "patinho feio" da administração em levantamentos anteriores - o InformEstado realizou pesquisas semestrais sobre a avaliação da gestão Marta -, a área de transporte virou trunfo eleitoral. É considerado o setor de melhor desempenho da prefeita para 40,8% dos paulistanos. Está no transporte, aliás, o programa mais bem-sucedido de Marta em termos eleitorais. O recém-lançado bilhete único, que permite realizar viagens de ônibus pagando uma só tarifa no intervalo de duas horas, é apontado pelos eleitores como a principal razão para votar na prefeita. "A Marta acabou fazendo algumas obras que eram esperadas pela cidade há mais de 30 anos", elogia o especialista em transporte Luiz Célio Bottura, do Instituto de Engenharia. Quando o assunto é trânsito, porém, Bottura tem uma avaliação bem diferente. Ele considera que faltou pessoal especializado para coordenar, por exemplo, a realização de obras viárias e as intervenções necessárias para atenuar seus efeitos sobre o trânsito. "Basicamente, ela colocou administradores sem experiência técnica." Como sinais dessa contradição, Bottura mencionou a "coragem" de Marta ao enfrentar os empresários do setor de ônibus e o que considera inversão de prioridades nas obras viárias. Ele acredita que a prefeita pecou ao aplicar dinheiro da Operação Urbana Faria Lima nos túneis das Avenidas Rebouças e Cidade Jardim. "Ela deveria ter melhorado a malha da Marginal do Pinheiros." Como foi feita a pesquisa A pesquisa foi feita pelo InformEstado e pelo Instituto GPP Planejamento e Pesquisa nos dias 26 e 27 de junho. Foram entrevistados 606 moradores e eleitores da cidade de São Paulo, de ambos os sexos, com idades entre 18 e 64 anos, das zonas norte, sul, leste, oeste e da região central. A margem de erro é de 4,0% para mais ou para menos num intervalo de confiança de 95%.

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