"Aprendi a me calar quanto à oferta de empregos", diz Gonzáles

O ex-primeiro-ministro da Espanha e hoje presidente da Fundación Progreso Global, Felipe González, utilizou a experiência baseada no período de seu governo (1982 a 1996), para recomendar a políticos para não fazerem promessas sobre quantidade de empregos pretendem gerar. "Prometi 800 mil postos no primeiro ano de mandato e, nos quatro primeiros perdemos 600 mil postos. Aprendi a me calar quanto a oferta de empregos", disse, provocando risos da platéia, durante palestra no "Fórum Internacional Brasil 2005 - Oportunidades e Desafios", realizado em São Paulo pela Odebrecht.Ele lembrou que aos governos só cabe criar condições para atração de investimentos e, por conseqüência, gerarem os empregos desejados. "Criamos 1,3 milhão de postos de trabalho no segundo mandato. Fui pragmático na política econômica de controle da inflação, eficiente na política de mercado competitivo e na redistribuição de renda", contou.Nessa linha, González entende que os governos latino-americanos e, sobretudo, o brasileiro, deveriam avançar na política de redistribuição de renda, principalmente indireta, com investimentos maciços em educação e saúde. "As lideranças da América Latina, como o presidente Ricardo Lagos (Chile) e Lula, têm que aproveitar a flexibilização e revisão do Consenso de Washington para adotar políticas inovadoras de crescimento econômico e distribuição de renda", sugeriu, ao acrescentar, em seguida, que nenhum país do continente possui política de distribuição de renda.

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