Apostas do PT não vencem e deixam dívida de R$ 43 milhões

Padilha, Lindbergh e Gleisi, que disputaram governos estaduais, esperam que partido assuma parte do prejuízo

PEDRO VENCESLAU, FÁBIO GRELLET E MARCELO PORTELA, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2014 | 02h03

Apontados no começo da campanha eleitoral como as principais apostas do PT nas disputas pelos governos estaduais deste ano, os senadores Lindbergh Farias (RJ) e Gleisi Hoffmann (PR) e o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (SP), todos derrotados no 1.º turno, deixaram uma dívida de R$ 42,9 milhões. O mais endividado é o paulista, que terminou a campanha devendo quase R$ 25 milhões. Ele ficou em terceiro lugar, atrás do governador Geraldo Alckmin (PSDB), reeleito no 1.º turno, e do empresário Paulo Skaf (PMDB).

O comitê de Padilha declarou ontem ao Tribunal Superior Eleitoral que arrecadou R$ 15,5 milhões, mas gastou R$ 40,2 milhões. O comitê financeiro único de campanha do PT de São Paulo arrecadou R$ 15,4 milhões e gastou R$ 35,5 milhões.

No Paraná,Gleisi arrecadou R$ 21 milhões, mas gastou R$ 26,9 milhões.

No Rio, o saldo negativo de Lindbergh é de quase R$ 12 milhões. O senador, que tem mandato até 2018, arrecadou R$ 7,3 milhões e gastou R$ 19,3 milhões. A expectativa dos petistas derrotados é de que o diretório nacional do partido assuma pelo menos parte das dívidas, mas o assunto ainda não foi discutido oficialmente pela cúpula partidária. Inicialmente, os dirigentes da legenda dizem reservadamente que vão estudar "caso a caso" a situação dos candidatos endividados.

No caso dos vencedores petistas, o mais endividado foi Rui Costa. Eleito governador na Bahia com apoio de Jaques Wagner, um dos nomes cotados para assumir um lugar de destaque na equipe ministerial da presidente reeleita Dilma Rousseff, Costa arrecadou R$ 32,1 milhões, mas gastou R$ 45,2 milhões. Ou seja: deixou a disputa devendo R$ 13,1 milhões.

Wellington Dias, eleito no Piauí, gastou o mesmo que arrecadou: R$ 4,8 milhões. Eleito em Minas Gerais, o ex-ministro Fernando Pimentel registrou um superávit de R$ 1,8 milhão. Pelos dados encaminhados ao Tribunal Regional Eleitoral do Estado, (TRE-MG), a campanha petista ao governo mineiro gastou R$ 41,1 milhões dos R$ 42,9 milhões arrecadados.

Devedor. Enquanto o governador reeleito de São Paulo declarou ao TSE não ter deixado nem dívidas nem sobras de campanha, o tucano Pimenta da Veiga, nome escolhido por Aécio Neves e derrotado no 1.º turno em Minas, registrou um "prejuízo" de R$ 2,7 milhões. O candidato do PSDB ao governo mineiro gastou R$ 43,1 milhões, mas arrecadou R$ 40,4 milhões.

Os candidatos que disputaram o governo de Minas gastaram, juntos, R$ 86,7 milhões com as campanhas eleitorais.

Durante a campanha estadual, o comitê de Pimenta da Veiga, que sempre apareceu atrás nas pesquisas, foi obrigado a cortar funcionários.

Na prestação de contas, o PT informou doações totais de R$ 53,4 milhões e despesas de R$ 52,1 milhões, mas os dados foram acompanhados de nota técnica explicando que a diferença se refere aos gastos com candidaturas proporcionais.

Ao registrarem as candidaturas, Pimentel declarou previsão de gastos R$ 42 milhões com a campanha, enquanto Pimenta da Veiga previu investimento de até R$ 60 milhões com sua campanha. / COLABORARAM MATEUS COUTINHO e RICARDO GALHARDO

NO VERMELHO______________________________________

Alexandre Padilha

Ficou em 3º lugar na disputa ao governo paulista e terminou a campanha devendo quase R$ 25 milhões. Arrecadou R$ 15,5 milhões e gastou R$ 40,2 milhões.

 

Lindbergh Farias

Perdeu a corrida ao governo do Rio - ficou em 4º lugar - e registrou déficit de quase R$ 12 milhões. Ele arrecadou R$ 7,3 milhões e gastou R$ 19,3 milhões.

 

Gleisi Hoffmann

A senadora derrotada na disputa ao governo do Paraná declarou ter arrecadado R$ 21 milhões, mas os gastos de sua campanha chegaram a R$ 26,9 milhões.

 

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