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Aposta do PRB ameaça hegemonia do PMDB

Partido vencedor nas três últimas disputas estaduais vê favoritismo de Marcelo Crivella contra candidato de Paes, que luta para chegar ao 2º turno

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2016 | 05h00

Rio - Depois de três vitórias seguidas para o governo do Estado e duas para a prefeitura da capital, o PMDB do Rio de Janeiro tenta hoje vencer a resistência ao seu candidato, Pedro Paulo, e avançar ao segundo turno contra o senador Marcelo Crivella, do PRB.

O ex-bispo da Igreja Universal se manteve na liderança isolada nas pesquisas de intenção de voto desde o início. Enquanto isso, Pedro Paulo lutou para se tornar conhecido do eleitorado, para superar acusações de ter agredido a ex-mulher e contra a crise financeira do governo estadual durante a campanha.

Embora ainda com chances de ir ao segundo turno, os dois principais institutos de pesquisa do País – Ibope e Datafolha – apontaram ontem o crescimento de seu principal adversário pela segunda vaga na disputa, o candidato do PSOL, Marcelo Freixo. Apesar de ainda estarem tecnicamente empatados, o socialista aparece com vantagem numérica.

Desde o início da campanha, levar Pedro Paulo ao segundo turno foi um desafio para o PMDB-RJ, especialmente para o prefeito Eduardo Paes, que chega ao fim de oito anos de mandato. Em 2015, Paes insistiu na candidatura do afilhado político, seu principal secretário na prefeitura, mas desconhecido do eleitorado, mesmo depois de vir a público uma denúncia de agressão do peemedebista contra sua ex-mulher, Alexandra Marcondes, em 2010. O processo foi arquivado, mas o estrago já havia sido feito.

Ao longo da campanha, os adversários colaram em Pedro Paulo a imagem de “agressor de mulher”, como costumava repetir Jandira Feghali. “Retrocesso é bater em mulher”, repetia Freixo cada vez que os peemedebistas o acusavam de sustentar teses ultrapassadas da esquerda. Pedro Paulo acusa os adversários de ignorarem a decisão da Justiça pelo arquivamento.

Paes, que já falou em disputar o governo do Estado em 2018, nega que seu futuro político esteja ligado ao desempenho do PMDB na eleição municipal. “Nunca tive planos para depois do mandato. Confesso que estou triste (com o fim do mandato). Daqui a pouco acaba o segundo turno e minha caneta foi para o beleléu”, disse.

Candidatos. Duas vezes candidato ao governo e na terceira disputa pela prefeitura, Crivella se beneficiou de mudanças que fez em sua campanha, afastando o vínculo com a Universal e se aproximando de aliados de outras religiões, do movimento gay e ligados à esquerda. Apesar de político experiente, ele se apresenta como distante dos escândalos de corrupção. “Falam em mistura de religião e política, isso não existe. O que existe é a mistura de política e roubalheira”, afirmou.

Principal adversário de Pedro Paulo na disputa pelo segundo turno, Freixo procurou se consolidar como candidato da esquerda independente. Ele tem apelado para o voto útil, na tentativa de avançar na disputa.

Jandira foi a única candidata a fazer dos temas nacionais o mote da campanha, como a denúncia do impeachment como um “golpe” contra a presidente cassada Dilma Rousseff.

Monitorado de perto pelo pai, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), Flávio Bolsonaro concentrou-se no eleitorado conservador. Indio da Costa e Carlos Roberto Osório buscaram se colocar como alternativas para o eleitor que não quer mais o PMDB, mas também rejeita candidatos mais à esquerda ou à direita. / COLABOROU ROBERTA PENNAFORT

 

 

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