Aposentadoria precoce de juiz é jogar dinheiro fora, diz Berzoini

O ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, deu um recado aos magistrados, que ontem protestaram contra a reforma da Previdência. Ele afirmou que considera "um absurdo um juiz se aposentar com 53 anos e uma juíza com 48". "Isso significa que estamos jogando dinheiro fora quando poderíamos aproveitar mais esses bons profissionais", acrescentou. Berzoini classificou como natural, mas ?não a mais inteligente" a reação dos servidores públicos federais, que prometem protestar contra o projeto de reforma da Previdência, com greve a partir do dia 8 de julho. "A reação é minoritária e vai sofrer isolamento em suas próprias categorias", afirmou. Ele disse também que a reforma é necessária para que o governo tenha um bom orçamento. "Para reduzir juros, além de boa política macroeconômica, temos de ter um bom orçamento. Daí, a necessidade da reforma", observou. Durante palestra na Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), Berzoini reiterou que o governo, embora aberto ao diálogo, não vai negociar propostas que não têm correlação com a realidade do Brasil. Em seguida, em entrevista coletiva, ele disse que a mudança de pontos que o governo considera inegociáveis na reforma previdenciária é defendida apenas por aqueles que se atêm a interesses corporativos ou usam argumentos inverídicos. Berzoini rebateu também as críticas dos intelectuais do PT e de economistas que, respectivamente, classificaram o projeto de reforma de privatização do sistema e de ser meramente fiscal. "Quem fala de privatização usa argumentos inverídicos para sustentar suas idéias. Ou não leu ou não entendeu", afirmou. Ele garantiu que o viés da proposta não é fiscal e sim de justiça social. Embora tenha considerado legítimo o voto contrário dos 23 deputados da bancada do PT em relação à elevação de 6% para 11% da contribuição dos inativos em São Paulo, o ministro disse que seria mais construtivo se os parlamentares do seu partido tivessem votado a favor."Acho que teria sido melhor se eles votassem favoravelmente. Mas não acho que essa posição vá prejudicar o andamento da reforma da Previdência do governo no Congresso", afirmou. Berzoini reafirmou que o governo vai lutar para aprovar a reforma o mais próximo possível do que ela foi concebida. Mas salientou que o projeto está agora no Congresso e que o Legislativo é um poder independente.

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