Após vitória na ONU, Sudão fará acordo com Petrobras

Depois de conseguir o apoio do Brasil para não ser condenado na Organização das Nações Unidas (ONU) por violações aos direitos humanos, o governo do Sudão deixa claro que essa atitude será compensada. Em entrevista ao Estado, o diretor do Departamento de Cooperação do Ministério das Finanças do Sudão, Abdel Salam, revelou que espera, em poucos meses, fechar um acordo com a Petrobras, além de contratos no setor de açúcar. ´As portas estão abertas ao Brasil´, afirmou. Nas últimas semanas, o Brasil tem surpreendido ativistas e governos ocidentais por não seguir a posição de pedir que as autoridades sudanesas sejam investigadas por causa da pior crise humanitária do mundo na atualidade, na região de Darfur. A ONU já deixou claro que tem provas de que o governo do Sudão tem participado do conflito que causou a morte de 200 mil pessoas desde 2003. França, Reino Unido e vários outros países europeus pediam que uma investigação fosse realizada e que os autores do massacre não fossem deixados impunes. Mas com o apoio de Brasil, Cuba, China e dos governos africanos e árabes, o Sudão conseguiu evitar uma condenação na ONU. Na quarta-feira, em Genebra, foi aprovada apenas uma resolução em que se determina o envio de uma missão de cinco especialistas para avaliar a situação em Darfur. ´O Brasil apóia a África nas organizações internacionais. Isso ficou claro ontem na votação, quando tivemos uma boa contribuição do País. Isso é a cooperação entre os países do Sul. Nossa orientação é para abrir nossas portas ao Brasil´, afirmou Salam. ´A atitude do Brasil pode ajudar muito nos negócios.´ Salam confirmou que o governo do Sudão está ´em negociações avançadas´ com a Petrobras. ´Espero que possamos concluir um acordo com a empresa em breve´, contou. Malásia, China e Índia, que também evitaram a condenação do país na ONU, já contam com investimentos no setor do petróleo no Sudão. ´Cerca de 12% de nosso Produto Interno Bruto (PIB) vem do petróleo. Produzimos 520 mil barris por dia, mas essa proporção aumentará para 1 milhão por dia nos próximos anos´, disse Salam. A perspectiva do governo sudanês é de que as reservas sejam bem maiores e o país possa se tornar um dos principais produtores da região - espera até integrar a Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep). Para isso, precisa de investimentos. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Sudão é uma das economias africanas que mais crescem, com taxas de 13% ao ano. Açucar Outro setor em que o Sudão pode favorecer o Brasil é o do açúcar. ´Estamos investindo nesse setor e queremos a participação do Brasil´, explicou Salam. Na avaliação das autoridades do Sudão, o comércio entre os dois países pode aumentar nos próximos anos, inclusive no setor de máquinas e equipamentos. ´Temos muitas necessidades e vemos o Brasil como um dos líderes do Sul. Decidimos até mesmo abrir no ano passado uma embaixada em Brasília´, contou o ministro.

Agencia Estado,

15 Dezembro 2006 | 15h15

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