Após visita de Bush ao País, Lula irá aos EUA em março

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manterá sua visita oficial ao presidente George W. Bush, em Washington, no próximo dia 31 de março, apesar do anúncio da Casa Branca de que o líder americano desembarcará em Brasília para um encontro bilateral 23 dias antes, em 8 e 9 de março. A data da visita foi confirmada ao Estado por uma fonte do gabinete do chanceler Celso Amorim. A sucessão de encontros em tão curto período dará ao governo Lula a oportunidade de intensificar um relacionamento mantido em temperatura morna nos últimos quatro anos. Para diplomatas que acompanham a relação bilateral, a confirmação da visita de Lula a Bush no final de março assinala a ansiedade do governo brasileiro em diferenciar-se da administração de Hugo Chávez, presidente da Venezuela. A visita de Lula a Bush estava programada desde o início do segundo semestre do ano passado para o primeiro quadrimestre deste ano. Em princípio, o presidente brasileiro pretendia reeditar o "encontro de governos" que realizou em junho de 2003. Naquela ocasião, Lula carregou consigo um terço de seu Ministério para reuniões com seus homólogos americanos. Mas os únicos ministérios que conseguiram aprofundar a cooperação, do lado brasileiro, foram os da Fazenda e de Minas e Energia. Para a visita de 31 de março, Lula pretende repetir esse mesmo formato e carregar boa parte de seu novo Ministério a Washington. Ao manter sua visita a Washington no final de março, Lula dá um sinal claro de que pretende destacar-se, tanto para a Casa Branca como para os candidatos à sucessão de Bush, como o interlocutor confiável para a solução dos dilemas sul-americanos. Trata-se do papel que Lula tentou desempenhar, sem grandes êxitos, desde sua visita a Bush em 2003. Entretanto, correrá o risco de ver seu gesto interpretado como sua concordância em ingressar no time de Nações antichavistas - o grupo que Bush pretende formar com os cinco países da América Latina que visitará em março, além de Peru e Chile. Esse seria um papel curioso para o presidente Lula que celebrou o ingresso apressado da Venezuela ao Mercosul e que declarou que, no país vizinho, há "excesso de democracia". Romper isolamento Na última semana, quando a Casa Branca anunciou o roteiro de Bush pelo Brasil, Uruguai, Colômbia, Guatemala e México, entre os dias 8 e 14 de março, o Itamaraty e o Palácio do Planalto cogitaram a possibilidade de transferir a visita de Lula a Washington para o segundo semestre. Para fontes da diplomacia, esse adiamento faria sentido porque é Bush - e não Lula - quem precisa romper seu isolamento no plano internacional e expor bandeiras que possam amenizar, para o público americano, sua imagem de "presidente da Guerra do Iraque" e seu confronto com o Congresso, de maioria democrata, nos dois anos que lhe restam na Casa Branca. Essas bandeiras são justamente o novo foco da política externa americana na América Latina, esquecida ao longo dos dois mandatos de Bush, e o projeto de conversão dos biocombustíveis - a menina dos olhos de Lula - em commodities internacionais. Tais bandeiras trouxeram ao Brasil, na semana passada, o subsecretário de Estado para Assuntos Políticos, Nicholas Burns, e o subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon, que iniciaram os preparativos da vinda do presidente americano. A última visita de Bush ao Brasil ocorreu em novembro de 2005, um dia depois de os presidentes Hugo Chávez e Nestor Kirchner, da Argentina, terem comemorado o enterro da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), durante a Cúpula das Américas organizada em Mar del Plata. Na ocasião, Lula recebeu Bush e sua mulher, Laura, para um churrasco na Granja do Torto.

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