Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Após vazamento de delação, ministro da Justiça se reúne com Janot 

Encontro não estava previsto na agenda e acontece depois de vazamento da delação do executivo Cláudio Melo Filho atingir cúpula do governo

Beatriz Bulla e Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2016 | 12h41

BRASÍLIA - Após vazamentos relacionados à delação da Odebrecht lançarem suspeitas sobre pagamentos da empreiteira ao presidente Michel Temer e à cúpula do governo, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, se reuniu com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O encontro aconteceu na manhã desta segunda-feira, 12, na sede da Procuradoria-Geral da República, em Brasília, e durou 35 minutos. 

A reunião não consta na agenda do ministro da Justiça desta segunda-feira. A assessoria do ministro informou que ele cumpriria agenda em São Paulo a partir das 12h. No entanto, Moraes entrou no gabinete do procurador-geral da República às 11h45. 

Ao sair, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que os dois não trataram do vazamento do anexo de delação da Odebrecht. Segundo Janot, a conversa foi sobre a criação de um grupo formado por Polícia Federal e Ministério Público para atuação em uma "investigação do Rio de Janeiro". 

Nesta segunda, antes da audiência na PGR, Moraes também teve reunião com o presidente Michel Temer.

No domingo, 11, o Estado revelou que aliados do presidente da República pretendem reforçar durante esta semana críticas ao vazamento do anexo de delação premiada do executivo Cláudio Melo Filho, da Odebrecht, em um esforço para tentar anular o acordo. Uma reunião de emergência foi realizada na noite de domingo no Palácio do Jaburu. O escalado, inicialmente, para fazer as críticas ao vazamento foi o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Jucá, assim como Temer, foi citado pelo executivo. No anexo de delação, Melo Filho diz que esteve presente em uma reunião no Jaburu em 2014 na qual Temer pediu a Marcelo Odebrecht "apoio financeiro" às campanhas do PMDB. Na ocasião, o então presidente da empreiteira se comprometeu a um pagamento de R$ 10 milhões, segundo o delator. 

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o secretário executivo do Programa de Parcerias e Investimentos, Moreira Franco, também foram citados pelo delator. No total, cerca de 50 políticos são citados no anexo.

Aliados do governo pretendem usar como justificativa para pedir a anulação da delação da Odebrecht o vazamento à imprensa. Em agosto, Janot chegou a suspender as tratativas de delação da OAS por conta de um vazamento. No caso da OAS, no entanto, o acordo de delação ainda não havia sido assinado. 

No sábado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, informou que iria solicitar uma investigação para apurar o vazamento de anexo de delação da Odebrecht. 

 

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