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Após vaias e xingamentos, Ciro pede 'trégua de Natal' por impeachment de Bolsonaro

Presidenciável disse ainda que não tem 'nada a ver' com a chamada terceira via

Cássia Miranda, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2021 | 16h18
Atualizado 04 de outubro de 2021 | 10h30

Menos de 24 horas após ser alvo de hostilidades ao deixar a manifestação na Avenida PaulistaCiro Gomes, pré-candidato do PDT ao Palácio do Planalto em 2022, propôs uma “trégua de Natal” em nome do impeachment do presidente Jair Bolsonaro. O ex-ministro mandou um recado ao PT, partido com o qual mantém uma relação de forte rivalidade desde a eleição de 2018. Em entrevista neste domingo, o ex-ministro minimizou o episódio do sábado, que classificou como “bobagenzinha”. Também disse “não ter nada a ver” com a chamada “terceira via” da disputa presidencial do ano que vem. 

“Estamos propondo uma amplíssima trégua de Natal”, afirmou Ciro. “Quando for o assunto Bolsonaro e impeachment, a gente deve esquecer tudo e convergir para esse raríssimo consenso, que já não é fácil”, completou. Questionado se acreditava que o PT vai aderir à proposta de trégua, Ciro disse que não tem como esperar que “eles aceitem ou se comportem como nós gostaríamos”. “No dia a dia, vamos continuar estabelecendo as nossas diferenças.”

O pré-candidato do PDT também agradeceu à manifestação de solidariedade publicada nas redes sociais pela presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR).

As divergências de Ciro com o PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se acirraram após o pedetista evitar declarar apoio a Fernando Haddad no segundo turno da eleição presidencial de 2018 – o petista foi derrotado por Bolsonaro. Durante discurso ontem, em São Paulo, em que pedia “unidade” entre as forças políticas para destituir Bolsonaro, Ciro foi vaiado por manifestantes petistas e ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Em vários momentos, eles puxaram gritos em favor de Lula e fizeram a letra L com as mãos. Ciro relatou que ao deixar o caminhão de som que um manifestante tentou agredi-lo. 

Na entrevista, o pré-candidato reiterou o pedido de união que fez em seus discursos em São Paulo e no Rio de Janeiro. “Quem tem responsabilidade e compromisso em, de fato, punir Bolsonaro e fazer o impeachment, para nos proteger da consumação de uma tentativa que pode ser sangrenta de golpe de Estado, é a mobilização de todos e todas que puderem e tiverem disposição para fazer.”

'Insuperáveis'

Segundo ele, foi “esse espírito” que o levou a aceitar o convite do Movimento Brasil Livre (MBL) e aderir aos atos convocados pelo grupo em 12 de setembro, mesmo sem ter esquecido as “diferenças insuperáveis” que tem com o grupo que convocou atos pró-impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). “Também as minhas diferenças com o PT são cada vez mais profundas e insuperáveis.”

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, chamou de “estranhos” os ataques sofridos por Ciro na Paulista. Pedindo “tranquilidade”, ele sugeriu que para as próximas manifestações haja “controle de grupos extremistas”.

Repetindo avaliações de lideranças políticas da esquerda como Manuela D'Ávila (PCdoB) e o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), Ciro disse que a expectativa é de que a próxima rodada de protestos, convocada para 15 de novembro, atraia um público maior. Segundo ele, “só a rua de forma ampla, generosa e absolutamente plural” vai fazer pressão sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), para que ele saia da “omissão criminosa” e avalie pedidos de impeachment de Bolsonaro.

Articulados por nove partidos – PT, PSOL, PCdoB, PDT, PSB, Rede, PV, Cidadania e Solidariedade – os atos do último sábado não conseguiram atrair a presença de líderes políticos além da esquerda.

Divergências marcam relação

  1. Distanciamento. Em 2018, derrotado nas urnas, Ciro viajou e frustrou os planos do PT, que esperava o apoio do pedetista a Fernando Haddad no segundo turno. 
  2. 'Lambança'. Em março, Ciro disse que o resgate de direitos políticos de Lula não mudava sua disposição de romper a polarização. “Não vou deixar o Lula ganhar essa na lambança.”
  3. Aceno. Após ser hostilizado por petistas, Ciro pede “trégua” pelo impeachment de Bolsonaro.

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