André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

Após tumulto em comissão, votação do recurso de Cunha fica para quinta-feira

Decisão veio após sucessivas mudanças de horário da eleição do novo presidente da Câmara; sessão de quinta foi convocada para as 9h30

Bernardo Caram e Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2016 | 18h02

BRASÍLIA - O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, Osmar Serraglio (PMDB-PR), encerrou no fim da tarde desta qarta-feira, 13, a reunião que discutia recurso sobre o processo de cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A decisão veio após sucessivas mudanças de horário da eleição do novo presidente da Câmara.

“Eu indago a esta comissão se não se envergonha de ver a cada minuto um anúncio de horário?”, questionou.

O indicativo de que a sessão seria encerrada abriu uma gritaria entre deputados aliados e rivais de Cunha. Em seguida, Serraglio encerrou a reunião. Uma nova sessão para analisar o recurso está marcada para esta quinta-feira às 9h30.

Tumulto. A sessão da CCJ caminhava para terminar sem que o recurso de Cunha fosse votado. Pouco antes das 16 horas, um tumulto se iniciou na comissão. Aliados e rivais do peemedebista trocaram gritos sobre a continuidade ou não dos trabalhos. O anúncio de que a votação no plenário da Casa foi adiada foi recebido com aplausos de deputados que defendem a cassação do peemedebista. Aqueles com posição contrária disseram que se tratava de uma manobra de Maranhão para interferir na CCJ.

O presidente da comissão, Osmar Serraglio (PMDB-PR), disse que lamenta a “coincidência” entre a sessão da CCJ e a eleição de presidente. Para ele, a análise de um requerimento para encerrar a discussão no colegiado mostraria se os deputados viram manipulação de Maranhão. O requerimento foi aprovado por 37 votos a 17 (uma abstenção). Com isso, passa-se ao procedimento de votação do recurso.

Foram mais de seis horas e meia de reunião, tomada por estratégias da “tropa de choque” de Cunha para tentar atrasar o andamento dos trabalhos. A tendência é que o peemedebista seja derrotado na avaliação do recurso.

Aliado de Cunha, Hugo Motta (PMDB-PB), foi um dos mais atuantes na sessão. Já no início, solicitou a leitura integral da ata da reunião anterior. Normalmente, essa leitura é dispensada pelos parlamentares. Além disso, Motta apresentou dois requerimentos com o objetivo de retirar de pauta a análise do recurso. A tentativa não foi bem sucedida.

Outro membro da tropa, Carlos Marun (PMDB-MS), iniciou a reunião perguntando se era possível pedir vistas em algum ponto da sessão. A resposta foi negativa. Posteriormente, reclamou que os parlamentares precisavam almoçar e, por isso, a reunião deveria ser suspensa - o que também foi negado.

Os dois deputados ainda argumentaram que a reunião precisaria ser encerrada, já que os parlamentares estavam preocupados com a eleição do novo presidente da Câmara. Marun chegou a dizer que se sentia em um “exílio”, em uma “ilha”, já que não poderia sair dali.

O relator Ronaldo Fonseca (Pros-DF) também colaborou para a demora na sessão, já que fez questão de responder todos os pontos apresentados pelos colegas sobre seu relatório. Isso abriu espaço para Cunha falar pelo mesmo tempo usado por Fonseca. 

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