Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Após tensa reunião com PF, PGR pediu para adiar depoimentos da Lava Jato

Constam entre os inquéritos com pedidos de prorrogação solicitados pela Procuradoria-Geral da República os casos dos senadores Edison Lobão (PMDB-MA), Renan Calheiros (PMDB-AL), Lindbergh Farias (PT-RJ), Fernando Collor (PTB-AL), entre outros

Beatriz Bulla, Andreza Matais e Talita Fernandes, O Estado de S. Paulo

22 Abril 2015 | 21h52

Texto atualizado às 09h23 do dia 23/04/2015

BRASÍLIA - A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou ontem à noite ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedidos para prorrogar o prazo de investigação de ao menos 19 dos 26 inquéritos relativos à Operação Lava Jato que tramitam na Corte. Os pedidos foram registrados após uma reunião tensa entre procuradores e delegados da PF com o objetivo de retomar o diálogo após a crise iniciada na semana passada em torno do papel de cada instituição na condução dos inquéritos. 

Constam entre os inquéritos com pedidos de prorrogação solicitados pela PGR os casos do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e dos senadores Edison Lobão (PMDB-MA), Lindbergh Farias (PT-RJ), Fernando Collor (PTB-AL), entre outros. Não há informações sobre quais diligências foram prorrogadas. 
O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não esta entre os que tiveram diligências adiadas. O "Estado" apurou, contudo, que o MPF em Curitiba, onde tramita parte das investigação da Lava Jato, já teria reunido informações novas com relação ao suposto envolvimento do parlamentar no esquema a partir de documentos apreendidos. Os parlamentares citados negam as denúncias de que teriam se beneficiado do esquema na Petrobrás. 

A iniciativa de pedir o adiamento já havia sido solicitada pela Polícia Federal na semana passada. Não há informações, contudo, sobre se a PGR atendeu integralmente a demanda da PF.

Tensão. A reunião entre procuradores e delegados ficou tensa quando os procuradores insistiram que a PF não poderia representar diretamente para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) com pedidos de diligências, o que os policiais discordam. A PF argumenta que se trata de algo recorrente no trabalho da instituição e uma decisão contrária do STF pode criar jurisprudência sobre o tema dando margem a pedidos para que operações sejam anuladas. 

Sobre o encontro, a assessoria da PGR disse apenas que a reunião foi produtiva e que os ruídos foram resolvidos. A PF não se manifestou. A reunião teria sido agendado pela PGR horas antes e na ocasião compareceram cinco procuradores ao invés de apenas um como informado. No encontro, os delegados teriam acusado procuradores de plantar informação na imprensa ofensiva à PF, o que foi negado, como ter antecipado a parlamentares investigados perguntas do interrogatório.  
  
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não participou do encontro. Ele esteve ontem na sessão plenária do STF e, ao deixar a Corte, não comentou se já tinha notícias da reunião. 
Por conta das divergências entre as duas instituições, depoimentos marcados para a semana passada haviam sido suspensos pelo ministro Teori Zavascki, do STF, por solicitação do procurador-geral. Até o momento não se sabe se os depoimentos voltarão a ser colhidos já nesta semana. 
 

Mais conteúdo sobre:
operação lava jatoPGRSTF

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.