Reprodução/Facebbok
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Após STF autorizar inquérito sobre atos, deputado bolsonarista diz que Corte é 'comunista'

Deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), conhecido por quebrar uma placa com o nome de Marielle Franco na campanha de 2018, criticou decisão de se apurar quem organizou e financiou manifestações de domingo

Patrik Camporez, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2020 | 22h03

BRASÍLIA - No dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu um inquérito para apurar a organização de manifestações antidemocráticas do último domingo, o deputado  federal bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ) convocou um protesto em defesa do presidente Jair Bolsonaro e disse que o Supremo é "comunista".

“Meu pensamento é o seguinte: saiam de suas casas... Se vier Augusto Aras, Ministério Público, STF... 'Ah, eu vou investigar os deputados que estão chamando as pessoas para as ruas…’ A pandemia é uma cortina de fumaça", disse, em frente ao Congresso Nacional, onde participou de um ato religioso em defesa do presidente Jair Bolsonaro.

“Tem muitos ali (aponta para o  Congresso atrás dele) que têm rabo preso com o STF, que é comunista, que não esperava que o presidente assumisse a presidência”. O deputado foi procurado pela reportagem, mas não se manifestou.  

O parlamentar disse ter saído do Rio de Janeiro, sua base eleitoral, às 15 horas de segunda-feira. Segundo ele, viajou de carro por 15 horas até Brasília para participar do ato religioso. Na live transmitida aos seguidores, em que aparecem pessoas rezando em pé e de joelhos, o deputado defende a teoria de conspiração do Congresso contra Bolsonaro.

“O Brasil, evidentemente, pela corrupção, que vilipendia o povo todo os anos, aproveitou para fazer essa cortina de fumaça aqui no Congresso para acabar com o presidente. Então meu pensamento é: apoie o presidente. Ele precisa de você. Aquele cara que você apoiou nas eleições, que fazia arminha, é o mesmo cara, mas agora ele está um pouco sozinho”, afirmou.   

No último domingo, o presidente Jair Bolsonaro participou de protesto em Brasília, marcado por faixas e palavras de ordem contra o Congresso e a favor de uma intervenção militar. Nesta terça, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, decidiu atender ao pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, e abriu um inquérito para apurar “fatos em tese delituosos” envolvendo a organização de atos antidemocráticos.

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