Após silêncio na CPI, Carlinhos Cachoeira depõe nesta sexta à Justiça

Contraventor e mais sete suspeitos, sendo um foragido, são réus em processo

Alana Rizzo, de O Estado de S. Paulo,

30 Maio 2012 | 22h16

GOIÂNIA - A Justiça Federal de Goiás começa nesta quinta-feira, 31, uma maratona de audiências para o julgamento do contraventor Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, e outros sete membros da organização criminosa comandada por ele e envolvida com esquemas de jogos ilegais.

O processo é resultado da Operação Monte Carlo, na qual 81 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal (MPF). Nesta quinta serão ouvidas dez testemunhas de defesa e outras quatro de acusação. Na sexta será a vez de ouvir os réus. Um deles - Geovani Pereira da Silva - está foragido.

Apesar da expectativa com relação aos depoimentos que devem durar mais de 20 horas, investigadores acreditam que os acusados vão falar pouco ou ainda permanecer em silêncio, lançando mão do direito constitucional de ficar calado.

O advogado de Cachoeira, o ex-ministro da Justiça na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Márcio Thomaz Bastos, conseguiu autorização para que a defesa conversasse por no mínimo quatro horas, nos últimos dois dias, com o seu cliente, que está preso no Centro de Detenção Provisória da Papuda, em Brasília.

Convocado pela CPI que investiga suas relações com políticos, Carlos Cachoeira afirmou que estava disposto a contar o que sabia após o depoimento em juízo, marcado para esta sexta, em Goiânia.

Braço direito do contraventor, Lenine Araújo de Souza também prometeu colaborar após a audiência. Por meio dos advogados, o contador do grupo chegou a procurar o Ministério Público em busca de delação premiada. A defesa de Lenine tenta agora algum benefício na CPI do Cachoeira.

Médico. O contraventor escolheu como testemunha de defesa o médico Arnaldo de Souza Teixeira Júnior, presidente da Unicred (cooperativa de crédito) e pediatra em hospitais de Anápolis (GO).

Bem relacionado. Já Wladimir Garcez, que durante defesa na CPI disse ser um homem bem relacionado politicamente, apostou no deputado estadual Daniel Messac de Morais (PSDB) para testemunhar a seu favor. Isso porque a primeira indicação do ex-vereador de Goiânia faleceu durante o processo.

Foragido, Geovani Pereira da Silva indicou como testemunha João Evangelista. No entanto, a Justiça teve dificuldades de citá-lo e cobrou explicações sobre seu paradeiro.

O juiz-substituto da 11.ª Vara Federal de Goiás, Paulo Augusto Moreira Lima, é quem vai conduzir as audiências.

Ex-delegado federal, o magistrado participou das investigações desde que elas foram remetidas para a Justiça Federal. Por esse motivo, a defesa de alguns dos acusados chegou a pedir a suspeição do magistrado.

Mestre em ciências penais, Moreira Lima foi aprovado também nos concursos para promotor de Justiça e Defensor Público.

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