Carlos Amastha/Facebook
Carlos Amastha/Facebook

Doria desconversa sobre candidatura à Presidência em 2018

Prefeito de São Paulo disse que 'nesse momento' não foi a Palmas fazer campanha política; esta é a terceira viagem do tucano a uma capital, em duas semanas

Célia Bretas Tahan, ESPECIAL PARA O ESTADO e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2017 | 15h39

PALMAS - Em viagem a Palmas, o prefeito de São Paulo, João Doria, desconversou nesta segunda-feira, 14, se rejeita a hipótese de deixar a Prefeitura para disputar a Presidência da República. Doria foi recebido na capital tocantineses com faixas com a frase "Tocantins quer Doria presidente" e por militantes com camisetas que "antecipavam" a campanha de 2018.

“Não estabeleço aqui compromissos nem de uma ordem nem outra. Estou na política. Vou continuar exercendo aquilo que é importante para defender o povo brasileiro. Nesse momento não vim fazer campanha política aqui em Palmas”, afirmou o prefeito. Ele disse, em outro momento, que foi para a cidade "buscar ensinamentos positivos, principalmente na área de Educação".

Palmas foi a terceira capital pela qual passou Doria em agosto e ele ainda viajará para mais seis capitais. O prefeito disse que fazer viagens pelo Brasil "aumenta o grau de conhecimento e interatividade" e lembrou que ocupa o cargo de vice-presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) . “Hoje é o mundo é digital. Estou online com a cidade quase 24hs por dia”, afirmou.

O prefeito viajou a convite do senador tucano Ataídes Oliveira (TO), que afirmou desconhecer o responsável pela criação tanto da camiseta como das faixas com os dizeres "Doria Presidente".

Em palestra intitulada "Gestor Empreendedor", ministrada para empresários, políticos e militantes do PSDB, o prefeito de São Paulo adotou discurso de campanha. "Estou na vida pública porque gosto", afirmou. Ao elencar as dez qualidades de um político e de um empreendedor, disse que é preciso ter paixão e trabalhar muito, dormindo poucas horas por dia.

Aproveitou ainda a oportunidade para provocar o ex-presidente Lula ao contar que, um dia, disse-lhe: "Vá trabalhar!". A frase foi em resposta à afirmação do petista de que Doria é rico e nunca trabalhou: "Peguei minha carteira de trabalho e mostrei que meu primeiro registro foi aos 13 anos."

Faixas. O prefeito da capital tocantinense, Carlos Amastha (PSB), e o deputado estadual Olyntho Neto (PSDB) negaram ter mandado pôr as faixas pró-Doria presidente e distribuído camisetas. "São fãs, pessoas que querem ver o Brasil no rumo certo", alegou Olyntho. No entanto, na Assembleia Legislativa do Estado do Tocantins, quatro portadores de faixas, trajados com as camisetas, confirmaram ser funcionários do deputado estadual do PSDB do Tocantins. 

No gabinete de Amastha, Doria atacou, no entanto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Sou honesto e decente. Não sou Lula e não sou o PT", afirmou, de com ênfase, ao ser perguntado sobre a relação da incorporadora Cyrela e com as ações na cracolândia. O secretário extraordinário de Investimento Social da Prefeitura da capital paulista, Cláudio Carvalho de Lima, foi diretor da construtora.

Para desocupar a cracolândia, o prefeito de São Paulo criou o Projeto Redenção, que visa tirar os viciados das ruas e encaminhá-los para os serviços sociais e de Saúde. Com diversas ações na região, até agora Doria apenas tirou do lugar os dependentes químicos, mas eles se deslocaram para áreas próximas, como a Praça Princesa Isabel.

Recentemente, ele criou um comitê para cuidar das doações à Prefeitura da capital, que, de acordo com o prefeito, chegam a R$ 700 milhões. Na chefia da comissão, está Lima. Doria afirmou que a Cyrela, assim como "muitas outras empresas", está entre as doadoras.

Além de uma reunião com integrantes da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), da qual é vice-presidente, e secretários municipais, o prefeito participou de encontro do PSDB, na Assembleia Legislativa do Estado do Tocantins, e se reuniu com empresários num colégio de Palmas.

Prévias. De acordo com Doria, a possibilidade de haver prévias no partido em dezembro não o afeta. Ele considerou que as prévias são "saudáveis". "Não faço avaliação sobre questões políticas, se elas são vantajosas ou não para mim. Faço sobre aquilo que é bom para a população. Eu sou fruto das prévias em São Paulo", lembrou. "Se não tivessem havido prévias em São Paulo, eu não estaria aqui, hoje, como prefeito da cidade."

São Paulo tem 55 programas de privatização, que devem ser postos em prática a partir de setembro. Criticado pela oposição por querer "vender" a capital paulista, Doria foi perguntado se, caso eleito presidente, fará o mesmo com o Brasil. "Não se trata de vender São Paulo nem de vender o Brasil. Trata-se de ser favorável a um Estado menor e mais eficiente. A busca da eficiência implica em ter um Estado de menor tamanho com melhor desempenho, sobretudo em Saúde, Educação, Habitação, Assistência Social e Segurança Pública."/ COLABOROU ADRIANA FERRAZ E PEDRO VENCESLAU

 

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