Após ser criticada por Aécio, Dilma diz que combater pobreza 'não é milagre'

Presidente foi criticada pelo tucano, que acusou governo federal de superer a pobreza 'por decreto'

Tânia Monteiro e Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

05 de março de 2013 | 22h31

BRASÍLIA - Um dia após o senador Aécio Neves (PSDB-MG) acusar o governo federal de superar a extrema pobreza por "decreto", a presidente Dilma Rousseff saiu em defesa dos programas sociais, ao discursar no 11º Congresso Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, em Brasília. Diante de uma entusiasmada plateia formada por pequenos agricultores, que gritava ao final de seu discurso "1, 2, 3, Dilma outra vez", a presidente afirmou nesta terça-feira, 5, que o combate à pobreza não é "nenhum milagre" e prometeu acelerar a reforma agrária, um dos principais pontos críticos da sua administração.

O rol de promessas no discurso, que durou mais de uma hora, foi extenso e variado. Começou com 240 mil cisternas em 2014 e 250 mil em 2015, passou pela valorização da profissão de professor e prometeu oferecer um kit englobando um "trio" - retroescavadeira, motoniveladora e caminhão caçamba - para 4855 prefeitos de cidades de até 50 mil habitantes, para que eles possam abrir estradas vicinais.

Por fim avisou que, depois da seca no Nordeste, o governo vai lançar um programa para ajudar os trabalhadores que perderam suas galinhas e as sementes, a fim de recuperar a sua criação e a sua plantação. Ao prometer aceleração da reforma agrária, com qualidade, Dilma avisou, sendo muito aplaudida: "eu nunca prometo o que eu não faço, não tem jeito, não prometo mesmo. Então vou prometer pra vocês uma coisa, nós agora, temos condição de fazer uma aceleração do processo de terras. E vamos dar terra com qualidade".

Dilma lembrou ainda que, mesmo as pessoas no campo sendo beneficiadas com terra, "elas têm direito ao Bolsa Família, tem direito a todos os benefícios que qualquer outro brasileiro tem".

Dilma repetiu bordões usados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ressaltar que "governa com olhos e ouvidos abertos" e por isso estava ali com os trabalhadores rurais, a quem fez questão de cumprimentar vários, ao final da cerimônia. Depois de reiterar que "a extrema miséria é apenas o começo" e que "ninguém pode achar que depois de fazer isso deita e fica descansando, temos de trabalhar intensamente", Dilma continuou atacando o governo Fernando Henrique, sem citá-lo.

"Já teve época que acreditaram que era possível o País ser rico e o povo ser pobre, mas sobretudo na questão do Brasil sem Miséria, trata-se da gente perceber que temos de ter o compromisso de superar a pobreza extrema", prosseguiu Dilma. "A superação da pobreza extrema não é nenhum milagre, nenhum acaso, é fruto de trabalho sistemático, da vontade política, da decisão política de não aceitar conviver com a pobreza."

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